No momento em que você está lendo esse artigo, alguma pessoa está alugando o CPF dela para algum criminoso. Acredite, este tipo de transação é mais comum do que se imagina, e está preocupando setores como a própria Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).
Em entrevista concedida nesta terça-feira (11), o presidente da Federação, Isaac Sidney, defendeu a utilização de punições administrativas para os cidadãos que cedem os seus dados para que fraudadores abram contas e movimentem dinheiro roubado.
A declaração foi dada durante a abertura do 2º Congresso de Prevenção e Repressão a Fraudes, Segurança Cibernética e Bancária. Entre outros pontos, Sidney alertou que os brasileiros vivem um momento de grande apreensão em relação à segurança digital.
O Brasil em alerta
Na avaliação do presidente da Febraban, o receio de golpes digitais já mudou o comportamento da população. Hoje, as pessoas já desconfiam de ligações e mensagens e até evita usar o celular nas ruas.
“Todos nós estamos vivendo em um cenário nacional de insegurança. A população está sobressaltada, temerosa de atender telefonemas e de ler mensagens no celular. Até o direito de sair com tranquilidade na rua, com um celular na mão, foi deixado de lado. […] Assim que furtam ou roubam, os bandidos já tentam acessar as contas bancárias, suas compras, deliverys e boa parte dos dados e da vida das vítimas. É um inferno isso”, declarou.
O que aconteceria com quem aluga o CPF
A proposta de Sidney é banir de maneira financeira as pessoas que emprestam as contas bancárias para movimentação de dinheiro obtido em fraudes.
“Precisamos banir essas pessoas e impedi-las de realizarem transações financeiras, excetuando-se aquelas transações para crédito de seu salário, permitindo somente saques e a não realização de transferências com origem nestas contas, seja por TED ou Pix”.
O presidente da Febraban disse ainda que os golpes e fraudes digitais seriam uma espécie de “epidemia no Brasil”. Segundo ele, mesmo que os bancos venham investindo cada vez mais em segurança, o fato é que os criminosos se adaptam rapidamente.
“O setor bancário foi o primeiro segmento da economia brasileira que se digitalizou. Mas, ao mesmo tempo em que colhemos os dividendos desse avanço, com mais conforto, rapidez e robustez em nosso relacionamento com a sociedade, também fomos os primeiros a sofrer com a criminalidade digital”.
Punições para bancos
Não apenas as pessoas físicas poderiam ser punidas. Segundo Sidney, também existe a possibilidade de punir executivos de instituições financeiras que facilitam, ainda que se forma negligente, a abertura de contas para criminosos.



