A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou pagamentos indevidos de quase R$ 2 bilhões em benefícios governamentais em 2022. As irregularidades ocorreram em auxílios destinados a taxistas e caminhoneiros, bem como em empréstimos consignados para beneficiários do Auxílio Brasil. O relatório da CGU foi enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para avaliação de possíveis crimes eleitorais.
Auxílios para taxistas e caminhoneiros
A CGU descobriu que 246.000 pessoas receberam auxílio taxista indevidamente, totalizando R$ 1,4 bilhão em pagamentos indevidos. Além disso, 110.000 indivíduos receberam auxílio caminhoneiro irregularmente, somando R$ 582 milhões. No total, 356 mil pessoas receberam aproximadamente R$2bilhões irregularmente.
O Controlador-Geral da União, Vinícius de Carvalho, destacou que esses auxílios começaram a ser pagos em agosto de 2022, às vésperas das eleições. O TSE será responsável por avaliar se houve ilícitos eleitorais cometidos pelo então candidato à reeleição Jair Bolsonaro.
Falhas em empréstimos consignados do Auxílio Brasil
A CGU também apontou falhas na operação de empréstimos consignados para beneficiários do Auxílio Brasil. De acordo com o órgão, a Caixa Econômica Federal descontou indevidamente R$ 8,4 milhões de 46.800 famílias beneficiárias do programa. Essas famílias tiveram valores descontados sem contratar empréstimo consignado com o banco.
O Controlador-Geral da União ressaltou que esses empréstimos foram disponibilizados pela gestão Bolsonaro em outubro de 2022. A CGU descobriu que 5.100 famílias contrataram empréstimos que comprometeram o valor do benefício acima do limite permitido de 40%.
Impacto eleitoral
Os pagamentos indevidos ocorreram numa época próxima às eleições, levantando suspeitas sobre o uso político dos benefícios. As conclusões da CGU podem levar a novas apurações no TSE contra Bolsonaro ou alimentar ações que já tramitam na corte eleitoral.
Segundo Vinícius de Carvalho, é difícil afirmar se houve intencionalidade na disponibilização e pagamento indevido desses recursos. No entanto, ele ressaltou que é notável que 80% dos beneficiários do Auxílio Taxista não deveriam ter recebido o benefício.
Próximos passos
A CGU planeja realizar uma análise de responsabilização dos envolvidos na estrutura dos benefícios. O órgão não descarta a possibilidade de solicitar o ressarcimento dos valores pagos indevidamente.



