Recentemente, o governo realizou um novo reajuste do salário mínimo, que passou a ser R$ 1.320 desde a última segunda-feira, 1º de maio. De acordo com um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), esta alteração impactará cerca de um quarto de toda a população brasileira.
Segundo o órgão, cerca de 22,7 milhões de cidadãos brasileiros serão impactados de forma positiva com o novo valor do salário mínimo. A coleta das informações ocorreu através dos números da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual (PnadC), de 2021, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.
No Brasil, a correção do salário mínimo irá proporcionar um grande impacto na economia, visto que existe uma grande parcela da população que possui salários muito próximos do valor. O estudo do Dieese indicou que, além dos 22,7 milhões de pessoas impactadas diretamente pela novidade, outros também terão impactos indiretos.
Este grupo representa cerca de 31,3 milhões de trabalhadores, o que resulta em um total de 54 milhões de brasileiros que sentirão esta mudança.
“Em termos percentuais, esse contingente representou 25,4% da população brasileira, em 2021”, diz trecho do estudo.
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Salário mínimo impactará mais algumas áreas
O estudo do Dieese também indica que “os grupos diretamente impactados pelo salário mínimo são os empregados do setor privado e público com carteira assinada (inclusive os trabalhadores domésticos); os servidores públicos estatutários; e as pessoas que recebem aposentadoria, pensão ou BPC, com valor igual ou inferior ao salário mínimo”.
Desse modo, ainda que a mudança de valor não pareça muito grande, trará impactos positivos para estes trabalhadores.
Além disso, a pesquisa também frisa que o reajuste da quantia “tem impacto na vida de milhões de trabalhadores, inclusive informais, além dos aposentados e pensionistas do INSS e daqueles que recebem benefícios assistenciais da Lei Orgânica da Assistência Social (Loas), como o Benefício de Prestação Continuada (BPC)”.
Isso acontece porque diversos benefícios se baseiam no valor do salário mínimo.
Gasto extra pode chegar a até R$ 15 bilhões
De acordo com estimativas do Inter, o reajuste do salário mínimo para R$ 1.320 em 2023 pode gerar um gasto extra de até R$ 15 bilhões com recursos à Previdência. A quantia fica bem acima da quantia preliminar que o Governo Federal delimitou, que se encontra na casa dos R$ 7,7 bilhões.
“Houve aumento do número de novos beneficiários no final do ano passado, esse valor tende a ser maior. Vale lembrar que outros benefícios sociais também são atrelados ao salário mínimo, como o BPC, abono e seguro desemprego, além da própria folha de pagamentos, que também deve contemplar reajustes salariais em 2023. Estimamos que o impacto do aumento adicional no orçamento de 2023 possa ultrapassar R$15 bilhões e, em se tratando de uma despesa permanente, seguirá impactando os anos seguintes”, pontua a instituição em seu relatório.
Ademais, o documento também chama a atenção para os possíveis impactos do reajuste na inflação, além de todo impacto fiscal. Isto é, o que pode levar ao aumento do déficit fiscal atrasando o equilíbrio dos gastos públicos.
“O reajuste tende a gerar pressão inflacionária no curto prazo, estimulando a demanda, considerando o mercado de trabalho próximo do pleno emprego, e desancorando as expectativas de inflação. O resultado pode ser uma inflação mais alta que pode anular o objetivo desejado do aumento”.



