O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a fazer críticas ao Banco Central (BC) no final de semana. Durante viagem ao Reino Unido para a coroação do rei Charles III, o petista criticou algumas declarações feitas pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto.
Em resumo, Campos Neto afirmou que, para o Brasil atingir a meta da inflação em torno de 3%, a taxa básica de juro da economia, a Selic, deveria estar perto dos 20%. Atualmente, a taxa Selic está em 13,75% ao ano, maior patamar desde novembro de 2016.
Aliás, o presidente Lula já criticou por diversas vezes os juros elevados no Brasil. Na última quarta-feira (3), o BC manteve pela sexta vez consecutiva a taxa Selic estável em 13,75%, apesar de todas as críticas feitas pelo Governo Federal.
No entanto, as declarações de Campos Neto fizeram Lula criticar novamente o presidente do BC. “Tá louco? Esse cidadão não pode estar falando a verdade. Então, se eu como presidente não puder reclamar dos equívocos do presidente do BC, quem vai reclamar? O presidente americano? Me desculpem, o BC tem autonomia, mas não é intocável“, afirmou Lula.
Além disso, o petista afirmou que Campos Neto “não tem compromisso com o Brasil“, mas com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, “que o indicou“.
“O [Henrique] Meirelles tinha a responsabilidade de ter um governo discutindo com ele. Esse cidadão não tem. Não tem nenhum compromisso comigo. Tem compromisso com o Brasil? Não tem. Tem compromisso com o outro governo, que o indicou. Isso é importante ficar claro. E tem compromisso com aqueles que gostam de taxa de juros alta. Porque não há outra explicação“, disse Lula.
Declarações de Lula preocupam
Em janeiro, o presidente Lula criticou a atual meta da inflação do país para 2023, de 3,25%. Na prática, o petista afirmou que uma meta inflacionária baixa pressiona o Banco Central a elevar os juros no país. Vale ressaltar que um dos efeitos dessa ação é a desaceleração da atividade econômica brasileira.
Já em fevereiro, o presidente também criticou o nível em que se encontra o juro básico da economia brasileira, bem como a política monetária definida pelo BC. Ele afirmou que o Brasil tem uma “cultura” de juros elevados que “não combina com a necessidade de crescimento” do país.


