Se dependesse do pré-candidato presidencial Ciro Gomes (PDT), a liberação do consignado para os usuários do programa Auxílio Brasil nem sairia do papel. O pedetista voltou a criticar o método e disse que a medida beneficiaria os bancos e permitiria que os mais pobres se endividassem ainda mais nos próximos meses.
“O código penal chama de latrocínio o ato de matar para roubar. O governo Bolsonaro acaba de criar o latrocínio coletivo ao permitir que os bancos confisquem o Auxílio Emergencial sob forma de empréstimo consignado com juros de 79%”, disse o pré-candidato em sua conta oficial do Twitter ao comentar uma postagem sobre o assunto.
Ciro Gomes erra ao dizer que o consignado tem relação com o programa Auxílio Emergencial. Na verdade, o plano do Governo Federal é liberar o crédito apenas para os usuários do Auxílio Brasil. De todo modo, é verdade que os juros da liberação podem chegar até a 79% considerando que o Ministério da Cidadania ainda não regulamentou oficialmente o tema.
Como não há uma regulamentação oficial, correspondentes bancários ganham a liberdade para criar as suas regras. Na ânsia de conseguir a liberação o quanto antes, cidadãos humildes já estão solicitando o dinheiro. Assim, eles teriam que pagar valores mais altos do que aqueles que eles receberam de fato.
“Latrocínio coletivo”
A crítica de Ciro Gomes gira em torno dos lucros que os bancos poderiam obter com este sistema. Com os juros mais altos, as pessoas passariam mais tempo pagando o crédito na forma de descontos no Auxílio Brasil. Assim, é possível que alguns cidadãos acabem contraindo mais dívidas em um longo prazo, já que receberão menos do que o limite mínimo exigido.



