O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Júnior, falou sobre as expectativas do banco para este segundo semestre e adiantou que a instituição não deve oferecer a modalidade de consignado do Auxílio Brasil. O crédito foi oficialmente sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) na última semana, mas não despertou interesse de alguns banqueiros.
“Não se trata de uma aposentadoria ou pensão, mas um benefício a pessoas que estão em dificuldades. Portanto, o Bradesco não vai operar nessa carteira. Estamos falando de pessoas vulneráveis”, disse Lazari Júnior durante um evento do Bradesco. Ele foi perguntado sobre a situação do consignado para este público.
“Em vez de ser uma boa operação para o banco e para o cliente, entendemos que a pessoa terá mais dificuldade quando o benefício cessar, e, por isso, preferimos não operar”, completou ele. Segundo apurações de jornais como O Globo e Folha de São Paulo, outros bancos como Itaú e Santander também podem seguir pelo mesmo caminho.
O consignado do Auxílio Brasil deve funcionar nos mesmos moldes do sistema que já existe hoje para os segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O cidadão pede o crédito, recebe o montante, e depois passa a receber a parcela do projeto com descontos mensais até que ele consiga completar a dívida.
Como estamos falando de um pagamento por descontos, não é possível não pagar o empréstimo, já que o abatimento é automático. De toda forma, há um temor de que ao receber valores menores, os cidadãos tenham mais dificuldades de pagar outras dívidas, o que poderia gerar ainda mais dificuldades para os mais vulneráveis.



