No mesmo momento em que o Governo Federal estava tentando focar todos os seus esforços na aprovação do novo arcabouço fiscal, um novo tema surgiu para dividir as atenções do Congresso: a instalação de uma CPMI para investigar os atos golpistas de 8 de janeiro. Agora, uma preocupação fica no ar. Afinal de contas, a aprovação do arcabouço fiscal está correndo risco?
Se depender do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) a resposta é não. Em entrevista nesta semana, o presidente do Congresso Nacional disse que vai trabalhar para proteger todo o rito de tramitação do arcabouço fiscal nesta semana. A ideia é blindar o projeto enviado pelo Ministério da Fazenda para que os parlamentares consigam aprovar o texto ainda neste primeiro semestre de 2023.
“Nada pode afetar o andamento do arcabouço fiscal”, disse o presidente do Senado. “A CPMI é um direito da minoria. Há um requerimento feito e já assinado por deputados e senadores. Nós temos uma sessão do Congresso Nacional no próximo dia 26 e a formalidade que se exige é a leitura do requerimento pela presidência do Congresso”, disse Pacheco.
“Desde o primeiro momento que me deparei com o 8 de janeiro e tudo que aquilo representava em termos de atentado à democracia e ao estado democrático de direito, eu hora nenhuma me opus à CPI. Agora, a CPMI tem o direito de apurar outras circunstâncias, inclusive financiadores e idealizadores dos movimentos antidemocráticos no Brasil”, completou o presidente do Senado.
Arthur Lira segue rito
Quem também vem manifestando interesse em blindar o projeto de arcabouço fiscal é o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Em entrevistas recentes, ele vem dizendo que o projeto que deverá substituir o atual teto de gastos deve ser aprovado porque não seria de interesse apenas de um governo, mas de todo um país.
Além disso, Lira também deu outra sinalização neste sentido ao Governo Federal nesta quinta-feira (20). Ele designou o relator que vai tratar do assunto do marco fiscal. Será o deputado federal Cláudio Cajado (PP-BA). O nome, aliás, tem o apoio do Palácio do Planalto para conduzir as tratativas.



