Mesmo com ensino superior, milhares de brasileiros descobrem que o retorno financeiro não compensa o esforço investido nos estudos.
Em um mercado cada vez mais exigente, as profissões que pagam menos frustram quem esperava salários distantes do mínimo, mas encontram remunerações abaixo do necessário para manter o básico.
Ensino superior já não garante estabilidade para todos
Durante muito tempo, formar-se em uma universidade era símbolo de conquista social. No entanto, dados recentes mostram que a promessa de renda elevada se tornou inalcançável para parte considerável dos formados.
Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) baseado na PNAD Contínua do IBGE, várias carreiras essenciais estão entre as principais profissões que pagam menos no Brasil em 2025.
A defasagem entre a qualificação exigida e a remuneração real preocupa. O aumento contínuo do custo de vida — principalmente em grandes e médias cidades — coloca muitos trabalhadores contra a parede: mesmo tendo diploma, é difícil arcar com moradia, transporte e alimentação apenas com o salário recebido no fim do mês.
Impactos do custo de vida nas ocupações essenciais
Profissionais de áreas consideradas indispensáveis enfrentam valorizações baixas e, muitas vezes, salários pouco acima do mínimo.
Professores, bibliotecários, assistentes sociais e educadores especiais, por exemplo, lidam com grande carga de trabalho, exigência de atualização constante e responsabilidade social, mas recebem menos do que a média dos formados em outras carreiras.
Esse cenário piora com a alta dos preços. Gastos básicos consomem quase toda a renda disponível, deixando pouco espaço para investimento em desenvolvimento pessoal ou qualidade de vida. Por consequência, cresce o medo do endividamento e a insatisfação no trabalho.
Formação alta, retorno baixo: uma equação desequilibrada
A dedicação a anos de graduação, cursos complementares e treinamentos deveria resultar em crescimento salarial. Porém, a realidade está distante disso para várias categorias. A pesquisa da FGV aponta médias salariais como:
- Professores da educação infantil: cerca de R$ 2.285
- Ensino fundamental em geral: aproximadamente R$ 2.554
- Professores de artes: em torno de R$ 2.629
- Assistentes sociais, bibliotecários e fonoaudiólogos: faixa de R$ 3.000 a R$ 3.578
Físicos, astrônomos, profissionais de relações públicas e educadores de necessidades especiais também aparecem com salários entre os piores, mesmo após anos de investimentos em estudo e capacitação.
Docência: carga alta e salário baixo predominam
A docência lidera o ranking de remunerações baixas, segundo o levantamento. Apesar de pequenas evoluções, professores ainda precisam complementar a renda em múltiplos cargos ou jornadas extensas, o que compromete a saúde e a qualidade do serviço prestado.




