Uma empresa de soluções de cibersegurança desenvolveu uma fórmula matemática para calcular o retorno de investimento que um ataque cibernético pode trazer a um grupo criminoso. A partir de análises de atividades cibercriminosas em todo o mundo, os especialistas da F5 Networks encontraram uma forma de calcular seu percentual de lucro. A intenção é que, com esse conhecimento, CISOs, CIOs e gestores de negócios entendam o risco que suas empresas correm.
LEIA MAIS: Deepfakes, criptomoeda e fake news: os alvos do cibercrime para 2022
Para aplicar a equação de cálculo de ROI da gangue criminosa a um contexto real, a F5 construiu um caso hipotético. Se um criminoso digital investir R$ 1 mil em um ataque de roubo de credenciais (que são login, senhas e outros dados de acesso de pessoas), conseguirá comprar no mercado negro uma base de dados com 1 milhão de identidades de correntistas de um banco. Esses valores são públicos e conhecidos por todo o mercado, com pequenas variações.
O próximo passo será utilizar bots para realizar automaticamente milhares de tentativas de acessos indevidos. A meta do atacante é identificar as credenciais válidas entre os 1 milhão de identidades roubadas. Caso o criminoso conquiste um “match” com 1 mil contas desse banco, isso significará que houve um sucesso de 0,001 em relação à amostra inicial de dados. Se o criminoso digital extrair R$ 10,00 de cada uma dessas contas conseguirá, com facilidade, obter R$ 10 mil dessa operação.
Porcentual de retorno é maior do que investimento em ações
A F5 destaca que a fase de ataque tem custo zero para a gangue, que escraviza redes de terceiros para tentar o acesso às contas bancárias. Ou seja, o custo está só na parte de aquisição da base de dados por R$ 1 mil. Subtraído esse valor, o lucro líquido do ciberataque foi de R$ 9 mil. Para obter a porcentagem do lucro, é só multiplicar o resultado de R$ 9 mil por 100, chegando a 900%.
Taxas de ROI (retorno de investimento) como essas são irreais no mundo dos negócios. Para se ter uma ideia, entre 2015 e 2020, o ROI médio gerado por ações de gigantes como Amazon, Netflix, Microsoft, Apple, Facebook e Alphabet foi de 352.23%, segundo dados da pesquisa da corretora norte-americana Buy Shares de dezembro de 2020.



