Imagine a possibilidade de prever, com 24 horas de antecedência, se um paciente internado com covid-19 vai ter uma piora em seu quadro clínico e precisará ser entubado. Ou, então, se este mesmo paciente irá apresentar melhora no dia seguinte e poderá receber alta. Com o uso de inteligência artificial (IA) no combate à covid-19, cientistas conseguiram fazer com que isso fosse real.
De acordo com um artigo publicado em setembro na Nature Medicine, uma das maiores publicações científicas do mundo, cientistas de vários países conseguiram utilizar um modelo de IA que auxilia na triagem de pacientes com covid-19. Os pesquisadores foram liderados pelo Mass General Brigham e pela Nvidia, fornecedora soluções de computação, que conseguiram melhorar a administração de recursos e os cuidados com as pessoas internadas nos hospitais com o algoritmo desenvolvido.
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No estudo, Felipe Kitamura, líder de Inovação em Operações Diagnósticas da Dasa, e Gustavo Corradi, médico especialista em IA na Dasa, dois brasileiros que participaram da pesquisa, mostram que a utilização de algoritmos por meio da técnica de Federated Learning – Aprendizado Descentralizado ou Colaborativo, numa tradução livre – pode prever casos de infecção pelo novo coronavírus que podem se agravar ou não, possibilitando aos médicos tomadas de decisões informadas em dados, mais assertivas e rápidas.
Como um algoritmo prevê a evolução da infecção pelo vírus?
Os algoritmos, instalados na rede do hospital onde os pacientes com covid-19 estão internados, aprendem com dados monitorados e coletados não só dos seus pacientes, mas também de outras instituições que possuem o mesmo sistema. De acordo com Kitamura, o modelo é diferente dos algoritmos atuais, que estimam apenas o risco de morte. “Saber que um paciente tem maior risco de morte não é uma informação acionável.”
Seu colega Corradi complementa dizendo que, se você consegue prever que em 24 horas um paciente vai precisar ser entubado, você não o manda de volta para casa. “Enquanto isso, você consegue dar alta hospitalar para outas pessoas porque sabe que não haverá necessidade de entubação. Ou seja, os algoritmos facilitam as decisões dos médicos.”



