O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou novo capítulo após a Comissão Especial da Câmara dos Deputados decidir adiar o parecer oficial para a próxima segunda-feira, dia 25.
A decisão veio em meio a pressões e negociações intensas entre setores empresariais, partidos da oposição e representantes do chamado Centrão. A principal polêmica gira em torno da criação de uma regra de transição de 10 anos para a implementação das mudanças.
Entenda os principais pontos dessa discussão que promete impactar profundamente as relações de trabalho.
Contexto do fim da escala 6×1 no Congresso
O debate sobre a redução da carga horária semanal de trabalho, das atuais 44 para 40 horas, e o fim da escala 6×1, está entre os temas mais aguardados do cenário trabalhista brasileiro.
Originalmente, o parecer deveria ter sido apresentado pelo relator, deputado Leo Prates (Republicanos-PB), em 20 de maio de 2026. Porém, a apresentação foi adiada após reunião envolvendo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o líder do governo, deputado Paulo Pimenta (PT-RS).
O presidente da Comissão Especial, deputado Alencar Santana (PT-SP), explicou que a decisão pelo adiamento foi tomada para buscar mais afinamento político ao redor da proposta de transição, deixando claro que “é pensando no trabalhador” que esses diálogos estão ocorrendo.
Pressão por período de transição: o que está em discussão?
O ponto mais sensível do debate é a criação de uma regra de transição de 10 anos para a mudança. O argumento defendido pelo empresariado e parlamentares do Centrão é que uma transição mais longa permitiria uma adaptação gradual das empresas, sem impactos abruptos no setor produtivo e na geração de empregos.
Isso envolveria, por exemplo, a redução da contribuição patronal ao FGTS de 8% para 4% e diminuição temporária do repasse das empresas à Previdência Social.
Além disso, há propostas para que determinadas categorias consideradas essenciais, como saúde, segurança, mobilidade urbana e infraestrutura, fiquem de fora da redução da carga horária. A definição desses grupos seria realizada por meio de lei complementar.
Propostas e emendas apresentadas
Parlamentares de diversos partidos, como PL, PP, União Brasil, Republicanos e MDB, apresentaram emendas sugerindo que o fim da escala 6×1 só passe a valer efetivamente dez anos após promulgação da emenda. Elas também propõem regras diferenciadas para setores estratégicos à continuidade do país, como hospitais, transporte e abastecimento.
Há ainda defesa para que a adesão à nova regra aconteça com redução de encargos trabalhistas durante esse período de transição.



