O fim da escala 6×1 pode estar a poucas semanas de uma decisão histórica no Congresso Nacional. A comissão especial da Câmara dos Deputados, sob relatoria do deputado Léo Prates (Republicanos-BA), marcou para 26 de maio de 2026 a votação do parecer sobre a polêmica jornada de seis dias trabalhados por apenas um de descanso.
A mudança afeta milhões de brasileiros sob o regime celetista e reacende o debate sobre saúde mental, produtividade e direitos trabalhistas.
A agenda da comissão inclui 11 reuniões previstas, com audiências públicas regionais, seminários em São Paulo e Belo Horizonte e a oitiva de empregadores, trabalhadores e especialistas. A Constituição atual fixa o teto de 44 horas semanais — patamar que pode mudar a depender do desfecho da votação.
Propostas e discussões em torno da escala 6×1
Entre as propostas em análise, destacam-se duas PECs (Propostas de Emenda à Constituição): a de Erika Hilton (PSOL-SP), que prevê a redução para quatro dias de trabalho por semana, e a de Reginaldo Lopes (PT-MG), que sugere o limite de 36 horas semanais, ambas contemplando prazos para a implementação das novas regras.
Paralelamente, o governo federal encaminhou um projeto de lei para reduzir o limite da jornada para 40 horas, além de alterar a tradicional escala para cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado.
O plano de trabalho apresentado por Léo Prates inclui audiências temáticas sobre o uso do tempo, impactos econômicos e sociais, limite e possibilidades da redução a partir das perspectivas de empregadores e trabalhadores. O objetivo é construir um consenso equilibrado e viável, ouvindo todos os lados envolvidos.
Efeitos econômicos e sociais do possível fim da escala 6×1
A transição para um modelo sem a escala 6×1 pode significar mudanças expressivas. Segundo estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a redução de 44 para 40 horas semanais pode elevar custos entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano para os empregadores, representando um acréscimo de até 7% na folha de pagamento formal.
Outro levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que apenas a adoção do regime de 40 horas, sem a escala 6×1, aumentaria em 7,84% o custo médio do empregado celetista — embora na indústria e comércio o impacto no custo operacional total seja inferior a 1%.
Por outro lado, o governo destaca dados relevantes sobre o atual cenário: cerca de 37,2 milhões de trabalhadores no Brasil possuem semanas superiores a 40 horas, correspondendo a aproximadamente 74% dos empregados com carteira assinada.
Além disso, em 2024 foram registrados 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao excesso de trabalho, gerando um impacto sobre a Previdência e a saúde do trabalhador.




