O governo brasileiro está considerando o fim da isenção do imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50. Essa isenção, atualmente aproveitada por empresas como Shein, Shopee e AliExpress, pode não durar por muito tempo. De acordo com uma nota técnica da Receita Federal obtida pelo Valor Econômico, o governo chegou a considerar a aplicação de uma alíquota de 28% no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2024. Essa medida visa aumentar a arrecadação e atender à pressão do varejo nacional, que alega concorrência desleal devido às diferenças tributárias em relação a empresas estrangeiras.
O Imposto de Importação Atualmente
Atualmente, a alíquota do imposto de importação está zerada para compras internacionais de até US$ 50, mas há uma cobrança de 17% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para empresas oficialmente dentro do programa Remessa Conforme. Essa isenção tem sido alvo de críticas por parte do varejo nacional, que argumenta que ela cria uma concorrência desleal entre empresas brasileiras e estrangeiras.
A Possibilidade de Implementação de uma Alíquota
No Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2024, o governo incluiu a expectativa de arrecadar R$ 2,86 bilhões com a taxação das compras internacionais de até US$ 50. Para chegar a esse valor, a Receita Federal considerou um cenário em que seria aplicada uma alíquota de 28% sobre o valor aduaneiro potencialmente tributável em reais. No entanto, é importante ressaltar que nenhuma alíquota está definida no momento, e o governo está avaliando dados sobre as remessas antes de tomar uma decisão.
O Posicionamento do Governo
O governo brasileiro já sinalizou que busca encontrar uma solução que garanta a isonomia entre empresas estrangeiras e o varejo nacional. Dario Durigan, secretário-executivo da pasta, afirmou que até o fim do ano pretende definir uma tarifa de importação que equilibre a concorrência no mercado. Essa busca por equilíbrio se deve à pressão do varejo nacional, que vem enfrentando dificuldades devido às diferenças tributárias em relação a empresas estrangeiras.


