Cartão no limite, parcelas atrasadas e FGTS bloqueado. Esse é o retrato de milhões de brasileiros em 2026 — mas pode estar prestes a mudar. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estuda liberar mais de R$ 17 bilhões do FGTS para ajudar trabalhadores a quitar dívidas, com foco especial nas do cartão de crédito. A proposta pode ser anunciada nos próximos dias e, se confirmada, deve beneficiar cerca de 10 milhões de brasileiros diretamente.
Entenda como cada frente funciona, quem pode ser contemplado e o que ainda falta para a proposta sair do papel.
O que é o pacote de R$ 17 bilhões do FGTS?
O Ministério do Trabalho e Emprego informou que o governo federal estuda liberar cerca de R$ 17 bilhões para ajudar trabalhadores endividados. A proposta ainda está em análise, mas pode ser apresentada nos próximos dias.
O plano é dividido em duas frentes distintas, com públicos e critérios diferentes. Cada uma funciona de forma independente, o que significa que uma pessoa pode ser contemplada por uma, por ambas, ou por nenhuma delas, dependendo da sua situação.
Medida 1: até R$ 10 bilhões para quitar dívidas
A primeira frente prevê a liberação de um valor entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões para ajudar trabalhadores a quitarem dívidas, com atenção especial aos débitos de cartão de crédito.
A medida, no entanto, não deve contemplar todos os brasileiros. O foco será em pessoas de menor renda. O Ministério citou como exemplo a exclusão de quem recebe em torno de R$ 20 mil mensais, entendendo que essa faixa teria mais condições de arcar com os próprios débitos.
Um ponto importante: o teto salarial exato ainda não foi definido. O MTE não detalhou qual será o limite de renda para participar da iniciativa.
Medida 2: R$ 7 bilhões para quem usou o saque-aniversário
O que são os bloqueios no saque-aniversário
A segunda proposta envolve a liberação de cerca de R$ 7 bilhões para aproximadamente 10 milhões de trabalhadores. O valor é destinado a quem aderiu ao saque-aniversário, foi demitido e teve parte do saldo do FGTS retido como garantia de empréstimos bancários.
Quando o trabalhador antecipa o saque-aniversário, a Caixa Econômica Federal retém uma parte do saldo como garantia do empréstimo contratado. O problema identificado pelo Ministério é que esse bloqueio costuma ser maior do que a dívida real.

Como o excedente seria devolvido?
Um exemplo citado pelo MTE ilustra bem: podem ser retidos R$ 10 mil como garantia para cobrir um débito de R$ 6,4 mil. A diferença — cerca de R$ 3,6 mil — fica presa na conta sem necessidade.



