“Estou passando necessidade. Foi bloqueado tudo: nome, CPF. Inclusive eu não podia consultar, pegar remédio, então ficou muito difícil para mim.” No mês de março, José Roberto Pereira passou por atendimento na UPA Leste em Ribeirão Preto. Após receber medicação e ser liberado, a família, residente em Bebedouro (SP), foi informada de que Pereira havia falecido. Isso causou diversos transtornos, inclusive o bloqueio do Bolsa Família.
Parentes de Pereira compareceram à unidade para identificar o corpo, porém alegam ter sido impedidos de realizar o procedimento. O corpo foi então transportado para Bebedouro, onde ocorreria o velório e o enterro. No dia do sepultamento, Pereira foi ao local de trabalho de seu filho e descobriu que este não estava presente, pois havia ido ao velório do pai. Estaria Pereira vivo?
“Aconteceu algo semelhante a um filme de terror, pois já havia enfrentado grandes dificuldades para enterrar meu irmão e conseguir cavar uma sepultura, resumindo, foi uma experiência muito complicada”, relata Lourdes Pereira Liberato, irmã de Pereira e auxiliar de saúde bucal.
Engano que fez o homem perder o Bolsa Família
Um erro causou prejuízos. Na ocasião, a Secretaria Municipal de Saúde admitiu o equívoco e explicou que a confusão ocorreu porque, no mesmo dia em que Pereira deu entrada na UPA, a unidade confirmou a morte de outro paciente com o mesmo nome.
No entanto, a pasta negou ter impedido os familiares de realizarem o reconhecimento. Pereira está vivo, mas oficialmente foi declarado morto pelas autoridades. Desde que perdeu o benefício de R$ 600 do Bolsa Família, ele tem acumulado dívidas e buscado renda de forma improvisada.
“Isso tudo aconteceu por causa do mal-entendido ocorrido em março na UPA, que me considerou morto. Atualmente, eu vendo sacolinhas para me ajudar, mas sou rotulado como vagabundo. Não consigo arrumar emprego, ninguém me dá oportunidade. Dependo do Bolsa Família, que é de R$ 600. Estou devendo a uma mercearia, que está me ajudando bastante, mas ainda preciso de ajuda. Não sei mais o que fazer”, desabafa Pereira.
Além dos problemas financeiros, Pereira também enfrenta a insensibilidade das pessoas ao tomarem conhecimento de sua história. “É constrangedor, as pessoas riem e ficam assustadas. Passei por muitos constrangimentos, vergonha e piadas. Acho que a prefeitura deveria me ajudar, é a única solução. Agora, estou sem nada, apenas com despesas aumentando e sem conseguir emprego. Estou desesperado”, lamenta. A família entrou com uma ação na Justiça contra a Prefeitura de Ribeirão Preto por danos morais, mas ainda aguarda uma decisão.
O que disse a prefeitura
Ao ser contatada, a Prefeitura de Ribeirão Preto informou que ainda não recebeu notificação sobre o pedido de indenização feito pelo paciente. Em março, a Secretaria Municipal da Saúde afirmou que indenizaria a família pelas despesas do velório em Bebedouro e que investigaria possíveis falhas no atendimento da UPA Leste. Contudo, a prefeitura não divulgou o resultado dessa investigação ao comentar o caso.
Quem não receberá o Bolsa Família em junho
Após a atualização dos dados financeiros no registro único de beneficiários, famílias experimentaram o cancelamento do auxílio em junho. Compreenda as razões por trás da interrupção do Bolsa Família e como reverter essa situação.
Com o início de um novo ciclo de pagamentos, beneficiários do programa Bolsa Família foram surpreendidos com uma notícia desfavorável. Ao consultar o status do benefício, algumas famílias receberam a informação de que o Bolsa Família foi cancelado ou até mesmo reduzido pela metade.




