A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, oficiou a Procuradoria Geral da República (PGR) para que investigue notícia de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República teriam produzido relatórios de inteligência a fim de auxiliar a defesa do senador Flávio Bolsonaro em investigações criminais em curso.
A providência foi tomada pela ministra a partir de petições apresentadas pela Rede Sustentabilidade na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6529.
Segundo a avaliação da relatora, os fatos graves descritos nos pedidos, que podem, em tese, configurar infração de natureza administrativa ou até mesmo penal, e, portanto, merecem apuração.
Relatórios de orientação
O partido afirma que, conforme noticiado na imprensa nacional, os órgãos de inteligência teriam produzido pelo menos dois relatórios de orientação sobre o que deveria ser feito para obter os documentos que permitissem embasar um pedido de anulação do caso conhecido como “rachadinhas”, em que Flávio Bolsonaro foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pela suposta prática dos crimes de peculato e lavagem de dinheiro.
De acordo com a publicação, os documentos teriam sido elaborados após reunião realizada em 25/08 entre o diretor-geral da Abin e as advogadas do senador.
Interesses pessoais e privados
Nas petições, a Rede alega que os órgãos de inteligência teriam descumprido a medida cautelar deferida na ADI, quando o Supremo assentou, entre outros pontos, que os órgãos componentes do Sistema Brasileiro de Inteligência somente podem fornecer dados e conhecimentos específicos à Abin quando comprovado o interesse público da medida, afastando qualquer possibilidade desses dados atenderem interesses pessoais ou privados.
O partido solicitava a intimação do senador Flávio Bolsonaro para prestar esclarecimento e fornecer os documentos mencionados, para que fossem apuradas as responsabilidades devidas.



