O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,21% em junho, desacelerando em relação ao mês anterior, quando a taxa avançou 0,46%. A propósito, o IPCA é a inflação oficial do Brasil.
Além de ter desacelerado, o resultado também veio abaixo do esperado pelos analistas do mercado financeiro, cuja média das projeções apontava para uma alta de 0,32% em janeiro. Aliás, a maioria dos grupos pesquisados apresentou preços mais elevados que em maio, mas os avanços foram menos intensos que o daquele mês.
Com o acréscimo do resultado de junho, a variação acumulada pelo IPCA nos últimos 12 meses ganhou força, passando de 3,93% para 4,23%. Apesar de ter diminuído, a taxa segue levemente acima do limite superior definido para a inflação de 2024, de 4,50%.
Caso os próximos resultados se mantenham nesse patamar, com avanços mais tímidos, a inflação deverá ficar dentro da meta em 2024, assim como ocorreu em 2023. No entanto, isso depende dos próximos resultados do indicador.
A propósito, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela pesquisa, divulgou os dados nesta quarta-feira (10).
O que é inflação?
O termo inflação se refere ao aumento geral nos preços de bens e serviços em uma economia. Assim, quando a taxa inflacionária sobe, o dinheiro passa a comprar menos bens e contratar menos serviços, pois o aumento da inflação reduz o poder de compra do consumidor.
Entretanto, quando ocorre o contrário, tem-se deflação. Este termo se refere à redução nos preços de produtos e serviços no país. Em 2023, apenas junho registrou deflação. Nos demais meses, os preços só fizeram subir no Brasil.
Cabe salientar que alguns analistas afirmam que deflação só ocorre quando a queda dos preços fica generalizada. Quando isso não ocorre, eles entendem o resultado apenas como uma queda da inflação, e não deflação em si.
De todo modo, o principal objetivo do IPCA é “medir a inflação de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias, cujo rendimento varia entre 1 e 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte de rendimentos”, segundo o IBGE.
Preços dos alimentos pressionam inflação
O IBGE revelou que sete dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados registraram alta em seus preços em junho, indicando uma alta disseminada dos preços.
Em suma, o destaque do sexto mês de 2024 foi o grupo alimentação e bebidas, cujos preços subiram 0,44%, apesar de desacelerarem em relação a maio (0,62%). Em junho, o grupo exerceu o maior impacto entre os grupos pesquisados, de 0,10 ponto percentual (p.p.) no IPCA do mês passado.
Veja as altas mais importantes registradas em junho entre os alimentos:
- Batata inglesa (14,49%);
- Leite longa vida (7,43%);
- Café moído (3,03%);
- Arroz (2,25%).
Por outro lado, os itens que tiveram os maiores recuos mensais, ajudando a limitar a alta do grupo alimentação, foram a cenoura (-9,47%), a cebola (-7,49%) e as frutas (-2,62%).
“Entre as frutas, chama a atenção o mamão, que por conta de uma oferta maior e a concorrência com outras frutas da época, teve uma queda no preço. Também a banana prata é destaque, com maior oferta, e ainda, uma perda de qualidade por conta da intensa variação de temperatura em algumas regiões produtoras“, explicou o gerente da pesquisa, André Almeida.




