Depois de toda a novela envolvendo a definição do teto da taxa de juros do consignado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Governo Federal recebeu um comunicado geral inesperado. O presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Isaac Sidney disse que membros do Planalto não podem mais tomar decisões sem estudo prévio.
“Nós enfrentamos situações de distorções nos preços quando há atuação sem levar em conta a racionalidade econômica e a estrutura de custos. Quando há intervenção sem racionalidade econômica, de forma um tanto quanto voluntariosa, isso gera distorções no preço, na oferta e na demanda”, afirmou, em evento do Bradesco nesta terça (4).
Dentro do Palácio do Planalto, a declaração foi recebida com clareza como uma posição dos bancos diante do Governo. A Febraban teria deixado claro que não vai concordar com decisões de ministérios que podem reduzir os juros de créditos sem uma discussão prévia. Membros do poder executivo não responderam a provocação.
Nas últimas semanas, o presidente da Febraban se reuniu algumas vezes com membros da equipe econômica do Governo Federal. O tema das reuniões foi justamente a definição de uma nova taxa de juros para o consignado do INSS. Eles chegaram em um acordo que agradou as duas partes, mas as rusgas de lado a lado seguiram.
Na declaração da última terça-feira (4), Sidney disse que todos os bancos gostariam de reduzir as suas taxas de juros. Entretanto, ele argumentou que este movimento não pode acontecer de forma voluntariosa. “Não precisamos de juro alto para lucrar, o que precisamos é de um ambiente de negócios, de crédito, saudável”, completou ele.



