O Banco Central (BC) divulgou na manhã desta sexta-feira (8) que os juros médios cobrados pelos bancos para o rotativo do cartão de crédito registraram queda neste mês de janeiro. De acordo com as informações oficiais, esta foi a primeira queda desde a limitação estabelecida pelo governo federal.
Segundo os dados oficiais, os juros médios do rotativo do cartão de crédito caíram de 442,1% ao ano em dezembro do ano passado, para 415,3% em janeiro deste ano. Trata-se, portanto, do menor patamar cobrado para esta taxa de dezembro de 2022, quando estava em 411,9% ao ano.
Limitação dos juros
Ainda em dezembro de 2023, o Conselho Monetário Nacional (CNM) estabeleceu uma limitação de taxa de 100% ao ano. A regra, aliás, está valendo desde o dia 3 de janeiro. Imagine, por exemplo, que você tem um débito de R$ 100. Neste caso, o valor dos juros não podem ultrapassar a marca de R$ 100.
“A conta é simples assim. Mas a conta é feita para cada ingresso. Se entrou R$ 100 reais [no cartão de crédito] em janeiro, [a dívida total] não pode superar R$ 200. Se houver novo ingresso [no cartão de crédito rotativo] de R$ 200, o novo ingresso não pode superar R$ 400”, explicou o consultor no Departamento de Regulação do Sistema Financeiro no Banco Central, Antonio Guimarães.
Importante lembrar que o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), que é cobrado neste tipo de transação, não deverá entrar neste limite fixado pela lei.
“As pessoas estão tendo uma dívida, às vezes 10 vezes o valor do crédito original. A pessoa devia R$ 1000 no cartão de crédito. Dali a x meses (a dívida) tava em R$ 10 mil. Elas não conseguiam pagar. Isso, em geral, não acontece com quem tem dinheiro. Acontece com quem não tem. A pessoa se submeter a 400% de juros ao ano, é porque a pessoa realmente não está em condições de pagar”, disse o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).

Longa discussão sobre o rotativo
As novas regras foram tomadas depois de um intenso debate envolvendo o governo federal, os bancos, as empresas de maquininha e até mesmo setores do comércio. O tema foi debatido por cerca de oito meses, mas nenhum acordo foi firmado, o que fez com que o congresso nacional tomasse uma posição.



