O avanço dos pagamentos por aproximação transformou o cotidiano com sua praticidade, mas trouxe consigo uma brecha que tem preocupado especialistas: a fraude do cartão por aproximação.
O golpe do toque fantasma ganhou notoriedade por permitir o roubo de informações sensíveis em questão de segundos, sem que a vítima perceba. Entender como funciona esse tipo de golpe e como se proteger tornou-se importante em 2025, especialmente no Brasil, que lidera tentativas bloqueadas deste golpe no mundo.
A tecnologia NFC (Near Field Communication), responsável pela agilidade do pagamento por aproximação, permite que cartões, celulares e relógios processem transações sem contato físico com a maquininha.
O problema é que essa mesma facilidade abriu espaço para inovadoras táticas de criminosos. Eles aproveitam momentos de distração das vítimas em locais movimentados ou se valem da engenharia social para capturar e utilizar de maneira fraudulenta os dados do cartão por aproximação.
Como funciona o golpe do toque fantasma?
O golpe do toque fantasma pode ser aplicado presencialmente ou à distância. No método presencial, o criminoso precisa estar fisicamente próximo da vítima e, com um celular habilitado com NFC, posiciona o aparelho próximo ao cartão, relógio ou smartphone da pessoa.
Em apenas alguns segundos, o sistema de pagamento gera um token, que, se interceptado e enviado em tempo real, já pode ser usado em outro dispositivo para efetuar uma compra fraudulenta.
Ambientes como filas de eventos, ônibus lotados, restaurantes e cafeterias se tornam cenário frequente desse crime, principalmente quando a vítima está distraída e com o cartão visível ou posicionado em bolsas abertas e bolsos de fácil acesso. Pela agilidade do processo, a pessoa dificilmente percebe a ação no momento que ocorre.
Já no golpe remoto, o criminoso recorre a estratégias de engenharia social, ligando para a vítima e se passando por funcionário de um banco ou operadora. Ele sugere que a vítima instale um aplicativo falso para “validar” o cartão via NFC. Quando a pessoa realiza o procedimento, o token gerado é interceptado e rapidamente transferido para um celular do criminoso, que completa a transação fraudulenta em segundos.
Brasil lidera tentativas bloqueadas desse tipo de golpe
O levantamento da Kaspersky, referência internacional em segurança digital, mostrou que o Brasil responde por 47% dos bloqueios de tentativas do golpe do toque fantasma no mundo, seguido por Índia, China e Espanha.
Isso se deve, em parte, à popularização dos pagamentos por aproximação e ao aumento no uso de aplicativos bancários por aqui. Usuários de Android estão mais expostos, já que o sistema permite a instalação de apps fora das lojas oficiais, ampliando as brechas para aplicativos maliciosos.
Por que a fraude do cartão por aproximação é tão difícil de ser detectada?
O principal desafio está na própria natureza do ataque: ele é silencioso e pode ser realizado em poucos segundos, quando a vítima menos espera. A agilidade com que o token de pagamento é gerado, transferido e utilizado impede muitas vezes qualquer reação rápida do consumidor. Apenas ao conferir extratos ou ao receber notificações de compras não reconhecidas a vítima se dá conta.
Além disso, o método “fantasma” dispensa aproximação direta de um terminal tradicional, pois aproveita dispositivos portáteis e tecnologia avançada para burlar limitações de tempo do token NFC.




