A inteligência artificial (IA) é a capacidade de soluções tecnológicas simularem capacidades humanas ligadas à inteligência, como a analisar dados para tomar uma ação. Isso vale mesmo para uma ação de emitir um alerta. Partindo deste conceito, empresas de tecnologia começaram a usar a inteligência artificial para a preservação do meio ambiente.
Um bom exemplo recente é o projeto de conservação “Guardiões da Floresta”, lançado no mês de agosto para ajudar a raposa de Darwin, uma espécie nativa do Chile. Acredita-se que menos de 1 mil delas ainda existam na natureza e, para evitar sua extinção, a Huawei se juntou ao projeto para fornecer a tecnologia.
Junto com os Guardiões da Floresta, a fornecedora chinesa desenvolveu a plataforma Guardian, um sistema de monitoramento acústico formado por equipamentos que acompanham e identificam animais por seus sons. Além disso, também é capaz de detectar ameaças, como tiros e motosserras, utilizadas para extração ilegal de madeira.
Os Guardiões da Floresta instalaram, até o momento, cinco Guardians movidos a energia solar e que cobrem 30 quilômetros quadrados da cordilheira de Nahuelbuta. Instalados em árvores, a uma altura de 10 a 40 metros, os equipamentos funcionam 24 horas por dia e sete dias por semana, enviando dados de sons para a nuvem da Huawei, onde a inteligência artificial os analisa. É essa IA que identifica os animais e as ameaças, permitindo a realização de pesquisas de campo ou uma resposta rápida ao identificar algum tipo de ataque ao meio ambiente.
A importância de preservar um pequeno mamífero
Apesar de pequena, a raposa de Darwin está no meio da cadeia alimentar e tem alto valor de conservação, impactando muitas outras espécies. Assim chamada por ter sido identificada pelo naturalista Charles Darwin, as raposas de Darwin controlam populações de insetos, crustáceos, aves, anfíbios, répteis e outros pequenos mamíferos, além de espalhar frutas e sementes que consome.
“O status populacional da raposa de Darwin é um indicador da saúde de todo o ecossistema de Nahuelbuta”, explica Bernardo Reyes, diretor da entidade Ética de Los Bosques. “É uma ‘espécie guarda-chuva’ da condição de toda a rede de mamíferos associados que vivem naquele espaço, como o pudu, o puma e o gambá.”



