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Receita Federal implementa mudanças nas regras de acesso aos serviços digitais

Por Yasmin Santos· 5 min de leitura
Pessoa trabalhando em um laptop com um smartphone ao lado, representando as mudanças nas regras de acesso aos serviços digitais da Receita Federal, incluindo autenticação via conta gov.br e representação digital.
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Brasileiros que usam o e-CAC para declarar o Imposto de Renda, consultar pendências ou autorizar contadores vão precisar se adaptar. A Receita Federal publicou a Instrução Normativa RFB nº 2.320, que estabelece novas regras para o acesso a serviços digitais e para a atuação de usuários e seus representantes no ambiente eletrônico da instituição.

A norma entrou em vigor no dia 6 de abril de 2026 e afeta pessoas físicas, empresas, contadores e procuradores. Entender o que mudou pode evitar bloqueios de acesso e transtornos desnecessários.

O que é a Instrução Normativa RFB 2.320?

A norma consolida o Portal de Serviços como principal agregador de serviços on-line e traz medidas para tornar o uso das autorizações de acesso mais seguro e eficiente.

Na prática, a instrução normativa organiza e padroniza a forma como cidadãos e empresas se identificam e operam no ambiente digital da Receita Federal. Não se trata de uma nova obrigação tributária — mas de uma mudança direta na forma de acessar os serviços já existentes.

A conta gov.br como principal mecanismo de autenticação

A instrução normativa consolida procedimentos relacionados à identificação digital dos usuários por meio da conta gov.br, que passa a ser o principal mecanismo de autenticação para acesso aos serviços digitais da Receita Federal, com exigência de níveis de segurança compatíveis com o tipo de serviço utilizado.

O usuário precisa, portanto, ter uma conta gov.br ativa e com o nível de segurança adequado ao serviço que deseja acessar.

Quais serviços digitais da Receita Federal são afetados pelas novas regras?

A norma classifica os serviços em duas categorias e ainda define conceitos que passam a ter validade formal no ambiente eletrônico:

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  • Serviços exclusivos: os dados são tratados apenas pela Receita Federal.
  • Serviços compartilhados: envolvem outros órgãos do governo.
  • Autorização de acesso: permissão concedida para uso dos serviços digitais.
  • Procuração digital: instrumento eletrônico com efeitos semelhantes a uma procuração tradicional.
  • Representante digital: pessoa autorizada a atuar em nome de outra no ambiente eletrônico.

Pessoas jurídicas: como funciona o acesso

No caso de pessoas jurídicas, o acesso poderá ser realizado pelo responsável legal perante o CNPJ, mediante certificado digital ou por pessoa autorizada.

Empresas que delegam o acesso a contadores ou gestores precisam formalizar essa autorização dentro das novas regras estabelecidas pela IN 2.320.

Regras de acesso aos serviços digitais da Receita Federal: o que é a representação digital

Uma das mudanças mais relevantes da norma é a regulamentação formal da representação digital, que afeta diretamente contadores, advogados tributários e procuradores.

A norma disciplina a atuação por meio de representante digital, permitindo que usuários autorizem terceiros a acessar serviços e praticar atos em seu nome no ambiente eletrônico da Receita Federal.

Como conceder a autorização de acesso

A autorização pode ser concedida de duas formas:

  1. Diretamente pelo titular da conta gov.br, pela internet — nesse caso, o representante indicado precisa validar a autorização.
  2. Mediante solicitação formal, com apresentação de documentos — exigida quando o titular não possui nível adequado de autenticação ou age por representante legal.

A habilitação ocorrerá por meio de aplicação própria no Portal de Serviços da Receita Federal.

O que o representante digital pode fazer

A autorização produz efeitos semelhantes aos de uma procuração no ambiente digital, devendo especificar os serviços autorizados e permitindo a prática de atos como envio de documentos, apresentação de pedidos, recursos e assinatura digital.

Quando o acesso pode ser bloqueado ou cancelado

A norma detalha as situações em que o acesso é suspenso ou encerrado — e isso afeta diretamente quem possui pendências cadastrais no CPF ou no CNPJ.

Situações que impedem o acesso

Não será permitido o uso dos serviços digitais que exigem autenticação nos seguintes casos:

  • Situação cadastral irregular no CNPJ;
  • Situação cadastral irregular no CPF do titular ou do representante;
  • Inconsistência nos dados do responsável pela pessoa jurídica.

Nessas hipóteses, o acesso permanece bloqueado até a regularização da situação.

Cancelamento de autorizações

As autorizações podem ser canceladas a qualquer momento pelo usuário ou de ofício pela Receita Federal, inclusive em situações de irregularidade cadastral, indícios de fraude, uso de acesso automatizado ou descumprimento das regras.

A norma prevê ainda o cancelamento da autorização em caso de falecimento do titular ou do representante.

Mudanças nas regras de acesso digital da Receita Federal e a implementação da autenticação gov.br para serviços eletrônicos.
Novas regras da Receita Federal para acesso digital e representação eletrônica. Fonte: Freepik.

Proibição de sistemas automatizados não autorizados

Escritórios de contabilidade e profissionais que utilizam softwares de integração precisam redobrar a atenção neste ponto.

A norma veda o uso de sistemas automatizados ou intermediários não autorizados. Caso esse tipo de uso seja identificado, a Receita Federal poderá interromper o acesso, bloquear o representante ou cancelar autorizações.

Também poderá ser estabelecido limite para o número de autorizações concedidas a um mesmo representante, conforme critérios definidos pela Receita Federal.

O novo Portal de Serviços vai substituir o e-CAC

O Portal de Serviços da Receita Federal irá gradualmente substituir o Portal e-CAC. Além de reunir em um único ambiente tanto os serviços abertos quanto aqueles que exigem autenticação, o Portal de Serviços também permitirá o acesso a todos os serviços atualmente disponíveis no e-CAC. O novo Portal ainda integra sistemas relevantes, como o e-Social e a Redesim, ampliando a oferta de serviços digitais em um só lugar.

A transição é gradual, e o e-CAC segue funcionando durante esse período.

Regras de acesso aos serviços digitais da Receita Federal: a quem se aplicam

As regras se aplicam a pessoas físicas, pessoas jurídicas, representantes legais e profissionais que atuam em nome de terceiros, como contadores e procuradores.

O que não muda com a nova norma?

A norma não altera obrigações tributárias nem cria exigências fiscais, tendo como objetivo padronizar e dar maior segurança ao acesso aos serviços digitais e à representação eletrônica, reforçando o compromisso da Receita Federal com a legalidade, a transparência e o interesse público.

Prazos de entrega de declarações, valores de tributos e regras de parcelamento permanecem inalterados. O que muda é exclusivamente a forma de autenticação e representação no ambiente digital.

Para mais informações e notícias, continue acessando o portal Notícias Concursos.

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Yasmin Santos

Escrito por

Yasmin Santos

Graduada em Letras pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), redatora do Grupo Sena Online

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