O Brasil passa por uma profunda crise estrutural, e assim, precisa de muitas reformas para melhorar seu crescimento econômico. A Reforma Tributária está tramitando no congresso, com pressões de várias frentes para que sua implantação saia do papel. Vamos compreender o que é essa Reforma e por que o país precisa urgentemente dela.
Sobre a Reforma Tributária
Essa Reforma é uma demanda muito antiga em nossa sociedade. Desde 1989 ela está em discussão. No entanto, com a atual situação econômica do Brasil, essa pauta voltou com força, como uma das ações que ajudariam na recuperação do país.
A Reforma Tributária é uma lei que determinará quais taxas, impostos e contribuições as empresas e pessoas físicas devem pagar. Também determina como estes recursos devem ser usados pelos estados ou pela União, alterando assim a forma como o governo capta os nossos tributos e como usa nosso dinheiro.
Essa lei mexe diretamente no nosso bolso. E hoje, como nosso bolso é afetado pelas tributações?
Como funcionam hoje nossos impostos?
No Brasil, atualmente, temos mais de 60 tributos, provenientes de consumo, renda e propriedade. Essa série de impostos, pago a destinatários distintos e em momentos variados, torna esse sistema tributário complicado e burocrático.
Devido a essa complexidade, o custo das empresas para organizar e prestar contas de suas obrigações é muito elevado. Isso estimula a sonegação e ate mesmo a corrupção.
Mas é no consumo, arrecadado através de bens e serviços, que incide a maior parte dos impostos coletados pela federação, estados e municípios. São eles:
- ICMS, o imposto estadual sobre a circulação de mercadoria e serviços;
- IPI, o imposto federal sobre produtos industrializados;
- ISS, imposto municipal sobre serviços;
- PIS, imposto federal de fomento a integração social;
- COFINS, contribuição federal para a formação da seguridade social.
É também no consumo que acontece o efeito cascata, já que os impostos são aplicados em diferentes pontos do ciclo de um produto, causando a multiplicação de pagamentos de um mesmo item ou serviço.
O que a Reforma Tributária quer alterar
É justamente esses pontos que as propostas examinadas pelo Senado e Câmara de Deputados buscam simplificar. A intenção é substituir estes cinco impostos por um só, o IBS, Imposto sobre Bens e Serviços.
Esse sistema de tributação já é adotado em países como os Estados Unidos, a França, e nosso vizinho Uruguai. Será um imposto nacional, com a alíquota formada pela soma das alíquotas dos impostos federais, estaduais e municipais, e incidirá sobre bens e serviços em todas as etapas de produção e comercialização. É importante dizer que ele não poderá ser cumulativo.
Essa é uma proposta que acabaria também com a guerra fiscal, que acontece por conta do ICMS, o principal imposto arrecadado pelos estados. Hoje em dia, é comum os estados reduzem suas alíquotas para se tornarem mais atrativos para investimentos, e assim, atrair empresas.
Quem mora em regiões industriais do Rio Grande do Sul, com alíquota do ICMS em 17,5%, já está habituado a ver o êxodo de empresas de seu estado para as regiões Norte e Nordeste, com alíquotas de ICMS entre 7 e 12%.
As propostas também falam de um imposto especifico majorado, que incidirá sobre bens e serviços cujo consumo se deve desestimular, por gerar grandes despesas na saúde pública, como cigarros e bebidas alcoólicas.


