O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campo Neto, revelou hoje (10) a intenção de eliminar o crédito rotativo do cartão de crédito, uma medida que visa conter as taxas excessivas que têm sobrecarregado os consumidores. A modalidade, conhecida por suas taxas de juros estratosféricas, atingiu impressionantes 437,3% ao ano em junho.
O anúncio foi feito durante a participação de Campos Neto em uma sessão plenária no Senado Federal, onde ele compartilhou detalhes das decisões de política monetária e estabilidade financeira tomadas pelo BC durante o último semestre.
Durante a sessão, Campos Neto destacou que o BC pretende apresentar uma solução para o que ele descreveu como o “grande problema” representado pelo sistema de cartão de crédito nos próximos 90 dias.
A solução proposta está inclinada a abolir o crédito rotativo do cartão de crédito e substituí-lo por um sistema de parcelamento direto, com uma taxa de juros em torno de 9% ao mês.
“Ou seja, extingue-se o rotativo, quem não paga o cartão vai direto para o parcelamento ao redor de 9%. E que a gente crie algum tipo de tarifa para desincentivar esse parcelamento sem juros tão longos. Não é proibir o parcelamento sem juros, é simplesmente tentar fazer com que eles fiquem um pouco mais disciplinados, numa forma bem faseada, para não afetar o consumo”, disse Campos Neto.
Taxa de juros da modalidade
Uma das razões por trás das taxas de juros elevadas nos cartões de crédito, de acordo com o presidente do Banco Central, é o aumento significativo do uso do parcelamento de compras em prazos mais extensos. Essa prática acarreta um aumento do risco de crédito para as instituições financeiras, o que, por sua vez, resulta em taxas de juros mais altas.
“Observamos a existência de parcelamentos isentos de juros, que beneficiam consideravelmente o setor comercial e estimulam a atividade econômica. No entanto, temos observado um aumento substancial no número de parcelas, passando de três para cinco, sete, nove e até onze. Atualmente, a média é de 13 parcelas. Isso essencialmente se assemelha a um financiamento de longo prazo sem encargos financeiros. A pessoa que toma a decisão de arcar com os juros não é a mesma que assume o risco, gerando uma desigualdade“, explicou o presidente do BC.




