A ministra Cármen Lúcia mudou de posicionamento nesta terça-feira (23) e votou a favor da suspeição do ex-juiz Sergio Moro no julgamento do ex-presidente Lula no caso do triplex do Guarujá.
“Desde a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, todo mundo tem direito a julgamento justo perante juiz imparcial”, afirmou a Ministra ao mudar de voto.
Citando fatos que, segundo ela, surgiram nos últimos meses, a ministra optou por revisar o seu voto dado no ano de 2018 e decidiu a favor da suspeição de Sérgio Moro.
Com o novo entendimento, Cármen Lúcia se juntou a Gilmar Mendes e a Ricardo Lewandowski, formando a maioria de 3 votos a 2 pela admissão da ação do ex-presidente que buscava anular a condenação.
“Neste caso o que se discute basicamente é algo que para mim é basilar: todo mundo tem o direito a um julgamento justo e ao devido processo legal e à imparcialidade do julgador”, afirmou a ministra.
O efeito imediato do julgamento é a anulação de todos os atos de Moro nos processos envolvendo Lula.
Reflexo da decisão na lava-jato
Considerada uma das grandes aliadas da Operação Lava-Jato na Suprema Corte, Cármen Lúcia já havia votado contra a suspeição de Moro em 2018, mas considerou que novos elementos juntados ao processo demonstraram essa quebra de parcialidade.
Entretanto, a ministra afirmou que essa parcialidade se restringiu à Lula e não à Lava Jato como um todo, se tratando de uma peculiar e exclusiva situação:
“Em relação a ele, havia uma ênfase dada para colocá-lo numa posição em relação à corrupção”.
Cármen Lúcia citou a condução coercitiva e a interceptação do escritório de advocacia da defesa do ex-presidente Lula como fatores que foram preponderantes para a decisão:


