O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou na última semana o arcabouço fiscal. Trata-se de uma lei que prevê uma espécie de controle do aumento do gasto público. De uma maneira geral, é possível afirmar que a nova regra vai substituir o atual teto de gastos públicos, que foi aprovado na gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB).
Mas quais são as principais diferenças entre o teto de gastos públicos e o arcabouço fiscal sancionado pelo presidente Lula na última semana? Abaixo, listamos uma série de pontos para explicar quais são as mudanças e como elas impactam diretamente a vida do trabalhador brasileiro.
Arcabouço fiscal x teto de gastos
Teto de gastos
O teto de gastos públicos prevê que o governo federal só deve aumentar as suas despesas com base na inflação do anterior. Assim, se a inflação de 2023 for de 3%, o aumento do gasto público em 2024 seria também de 3%.
O que pensam os agentes do mercado: a maior parte do mercado financeiro acredita que o teto de gastos era uma boa maneira de controlar os gastos públicos, em um cenário de necessidade de organização das contas públicas do governo federal.
O que pensam os sindicatos: já para membros de sindicatos, o teto de gastos representava um retrocesso, já que impedia o crescimento real dos gastos em áreas importantes como saúde e educação, mesmo em um contexto de crescimento da população.
Arcabouço Fiscal
No sistema do arcabouço fiscal, o governo deverá ter um pouco mais de liberdade. Pelo novo sistema, fica definido um piso de 0,5% para cima da inflação do ano anterior, ou seja, o governo será obrigado a elevar as suas despesas sempre de maneira real todos os anos.
Contudo, o arcabouço também estabelece um teto de aumento de gastos de 2,5% ao ano. O tamanho exato do aumento das despesas vai ser definido pela arrecadação. Quanto mais do governo federal arrecadar, mas ele vai poder gastar no ano seguinte.
O que pensam os agentes do mercado: De uma maneira geral, o mercado financeiro tem sentimentos mistos em relação ao novo arcabouço. Mas o sentimento geral é de que o texto é positivo porque ainda apresenta uma limitação dos gastos do governo federal.
O que pensam os sindicatos: Do lado dos sindicatos, o sentimento também é dividido. Parte dos sindicalistas elogia o texto, mas uma boa parte segue criticando a indicação de que será preciso ter um teto de gastos públicos, mesmo que ele seja maior do que o antigo teto de gastos.
Salário mínimo
Vale frisar que alguns pontos acabaram ficando de fora do arcabouço fiscal. É o caso, por exemplo, da definição do valor do salário mínimo. Na prática, isso significa que para elevar este piso o governo não vai precisar atentar para as regras que foram definidas pelo marco fiscal.




