O nervosismo e o desejo de superar a concorrência nos grandes vestibulares, como Enem e Fuvest, fazem muitos estudantes acreditarem que textos sofisticados e repletos de palavras pouco usuais garantem uma pontuação máxima. Mas a realidade é outra: basta um vacilo ligado aos vícios de linguagem para transformar um texto promissor em um desastre avaliatório.
Em 2026, os critérios estão mais rígidos do que nunca e tornou-se fundamental entender por que a clareza é tão valorizada, e como erros sutis podem prejudicar até candidatos com domínio avançado da norma culta.
Rebuscamento excessivo causou eliminação em vestibular
Luis Henrique Etechebere Bessa, candidato de 18 anos, foi eliminado da segunda fase da Fuvest 2026 após receber nota zero na redação enquanto concorria a uma vaga no curso de Direito da USP. A banca avaliadora justificou a eliminação pela falta de aderência ao tema proposto, apesar de o caso ter repercutido pelo uso de linguagem excessivamente rebuscada.
A Fuvest esclareceu que a nota zero foi aplicada porque o texto não conseguiu compreender nem desenvolver o tema central, e não foram identificados indícios suficientes de intertextualidade ou progressão textual. A redação passou por três avaliações cegas independentes, procedimento padrão que pode chegar a quatro correções em casos de divergência entre os avaliadores.
O principal problema identificado não foi apenas o vocabulário rebuscado, mas também a falta de clareza e a desconexão com o tema central.
O que são vícios de linguagem e como afetam sua redação
Vícios de linguagem são desvios da norma culta que, embora não comprometam totalmente a gramática, prejudicam a compreensão, a fluidez e a argumentação do texto. Em contextos altamente competitivos, como vestibulares, esses deslizes podem reduzir pontos e até resultar em nota zero.
O caso de Luiz, cuja redação foi anulada apesar do linguajar sofisticado, mostrou que não basta conhecer palavras difíceis — é fundamental usá-las de forma adequada e relevante.
O contexto dos vestibulares e a busca pelo diferencial
Com milhares de candidatos disputando cada vaga, cresce a tentação de tentar ‘inovar’ com textos rebuscados ou estruturas complexas. No entanto, a melhor estratégia é seguir as regras: os corretores valorizam clareza, objetividade e fidelidade ao tema.
Muitas vezes, um texto sofisticado pode tropeçar em detalhes banais, como misturar registros, fugir do tema ou recorrer a excessos estilísticos. Esses exageros não impressionam quem avalia o conteúdo e a relevância das ideias.
Na Fuvest 2026, o candidato utilizou construções como “a grandiloquência condoreira” e “a tétrica languidez do sofrer recôndito”, termos que dificultaram a compreensão e a identificação de uma tese clara.
Entendendo as principais armadilhas: obscuridade, ambiguidade e redundância
A obscuridade ocorre quando o texto embaralha ideias com frases longas ou termos pouco conhecidos, tornando a compreensão difícil. Ambiguidade aparece sempre que uma construção permite interpretações variadas.
Já a redundância, marcada pela repetição desnecessária de conceitos, transmite a sensação de “encher linguiça” e debilita a argumentação. Essas falhas comprometem a credibilidade do candidato.




