O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda. A partir deste mês de maio, a isenção vai atingir diretamente todos os trabalhadores que recebem até R$ 2,6 mil por mês. Até abril, esta margem impactava apenas aqueles que recebiam até R$ 1,9 mil por mês.
Além disso, Lula também indicou que vai aumentar esta faixa de isenção de forma gradativa até o final deste seu terceiro mandato. De acordo com o petista, o plano é que até o final de 2026, a faixa de isenção do Imposto de Renda atinja todos os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês.
Vale ressaltar que esta, aliás, foi uma das principais promessas de campanha do presidente nas eleições do ano passado.
Ministério preocupado
Contudo, a ideia preocupa diretamente integrantes do Ministério da Fazenda. Conforme informações de bastidores, aliados do Ministro Fernando Haddad (PT) avaliam que a ideia de elevar a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil poderia causar um grave problema nas contas públicas. Segundo eles, seria difícil se recuperar do tombo causado.
Nas contas do Banco XP, caso Lula leve a ideia ao pé da letra, e realmente consiga isentar todos os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil no decorrer deste seu terceiro mandato, o Governo Federal poderia ter que conviver com um custo extra de R$ 216 bilhões até o final de 2026. A projeção considera o atual modelo de isenção implementado pela União este ano.
Vale lembrar que este custo não vem em forma de gastos, mas em falta de arrecadação. Estamos falando, portanto, de R$ 216 bilhões que o Governo Federal poderia deixar de arrecadar até o final de 2026 para conseguir isentar todos os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil. Seria uma perda importante da Receita que o poder executivo ganha hoje.
Cenário contraditório
A preocupação do Ministério da Fazenda acontece também porque esta promessa está sendo feita em um momento em que a pasta está tentando fazer justamente um caminho inverso. A proposta de arcabouço fiscal entregue por Haddad ao Congresso Nacional indica que o Governo Federal só poderá gastar mais, se conseguir arrecadar mais, ou seja, se a receita subir.



