Ainda que muitos estudantes de graduação sintam que sua vida acadêmica é afetada por problemas emocionais, a proporção daqueles que buscam ajuda de serviços psicológicos é pequena, e fica ainda menor com recortes de gênero e raça. É o que aponta um levantamento feito pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a partir das respostas de mais de 400 mil estudantes.
O universo pesquisado inclui alunos de todas as universidades federais brasileiras e de dois institutos federais de educação superior. Desses, 83,5% relataram alguma dificuldade emocional, especialmente a ansiedade, citada por seis em casa 10, e a sensação de desânimo e falta de vontade, percebida por 42%. Além disso, quase 11% afirmaram que convivem com a ideia de morte e 8,5% confessaram ter pensamentos suicida, a maioria mulheres.
Elas também apresentaram índices mais altos de dificuldades emocionais e 67% das estudantes pretas e pardas disseram sofrer com a ansiedade, índice que sobe para 74% no caso das alunas brancas. Para o coordenador do grupo de estudos, o cientista político João Feres Junior, os dados levantam uma discussão de como equilibrar o próprio ambiente universitário, para que a pressão inerente à disciplina dos estudos não se exceda, especialmente quando combinada com o sofrimento que negros e mulheres já têm em decorrência do racismo e do machismo.



