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Estudo mostra que aumento na taxa Selic inviabiliza compra de casas para 3 milhões de famílias

Por João Vitor Jacintho· 3 min de leitura
Estudo mostra que aumento na taxa Selic inviabiliza compra de casa para 3 milhões de famílias

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Um estudo divulgado na última quinta-feira (2) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apontou que o aumento na taxa básica de juros, conhecida como taxa Selic, dificultou que mais de 3 milhões de famílias brasileiras adquiram suas casas próprias.

Segundo a FGV, o reajuste neste indicador encareceu ainda mais o compra de casas em todo o território brasileiro. A taxa Selic sofreu seu oitavo aumento consecutivo. Os reajustes começaram a ser divulgados em abril do ano passado.

Durante a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa básica de juros sofreu reajuste de 1,5%, passando de 9,25% para 10,75% ao ano.

Alberto Ajzental, coordenador do curso de desenvolvimento de negócios imobiliários da FGV, e responsável pelo estudo, explicou que a cada vez que ocorre um reajuste de 2,5% na taxa Selic, também há, de forma concomitante, o aumento de 1 ponto percentual no custo do financiamento total de imóveis brasileiros.

O estudo da FGV levou em consideração a aquisição de um imóvel de dois dormitórios, por R$250 mil. Este padrão foi estabelecido pois este tipo de imóvel, considerado intermediário, é o mais vendido atualmente no Brasil.

O que diz o especialista

 

Ainda segundo Ajzental, cada ponto percentual inviabiliza a compra de uma casa, nos moldes citados acima, para cerca de um milhão de famílias brasileiras.  Desta forma, considerando que a taxa básica de juros teve aumento de 7,5% em 2021, o reajuste na taxa Selic inviabilizou a compra de casa para mais de 3 milhões de famílias brasileiras nos últimos 12 meses.

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Segundo explicou Ajzental, “A aquisição de crédito imobiliário é a mais sensível entre as possibilidades financeiras e está diretamente interligada com a Selic, porque proporciona a melhor segurança aos bancos.

“O financiamento de um imóvel representa um grande valor agregado. No rotativo do cartão de crédito, por exemplo, a Selic pode cair pela metade, que nada muda”, completou o especialista.

Analisando o período de 12 meses entre janeiro de 2021 e janeiro deste ano, a taxa básica de juros teve um salto de 8,75%, saindo de 2% para 10,75%. Considerando os cinco anos anteriores, a taxa Selic não havia chegado aos dois dígitos, evidenciando ainda mais a alta.

Comparando o poder de compra de casas em 2021 e neste ano

 

O responsável pelo estudo também detalhou a relação existente entre a Selic e as compras de casas por famílias brasileiras. De acordo com ele, a alta nos juros afeta diretamente as parcelas a serem pagas no caso de casa financiadas, aumentando também o preço final dos imóveis.

De acordo com seus cálculos, se considerarmos a taxa de juros de janeiro de 2021, que era de 2%, o valor da prestação de um imóvel intermediário financiado em 20 anos era de R$2.191. No final do contrato, o imóvel custaria o valor de R$363.033.

Já considerando a taxa básica de juros deste ano, que é de 10,75%, a compra de uma casa de R$250 mil (intermediário) financiada em 20 anos terá seu custo final cotado em R$427.047. Este valor representa um aumento de mais de R$64 mil para o mesmo tipo de residência.

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João Vitor Jacintho

Escrito por

João Vitor Jacintho

Graduando em engenharia química, atua na função de Redator do portal Notícias Concursos na aba de economia, com mais de 2 mil artigos publicados.

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