Ainda não é possível cravar o que vai acontecer com o consignado do Auxílio Brasil a partir do próximo ano. Contudo, é possível afirmar que nada mudou no presente. Por meio de nota, a Caixa Econômica Federal afirmou que o crédito segue sendo oferecido normalmente, mesmo diante de uma série de críticas.
Em reportagem publicada recentemente pelo jornal Folha de São Paulo, o jornal revelou que a Caixa Econômica passou a dificultar o acesso ao crédito depois da derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições deste ano. Segundo as apurações, o sistema teria passado a negar mais pedidos no decorrer das últimas semanas.
“A concessão de crédito obedece a critérios internos de governança, com base no contexto de mercado, no monitoramento de seus produtos e nas estratégias do banco”, afirmou a assessoria do banco, em nota. Assim, é possível dizer que até mesmo a instituição não nega que o processo de concessão esteja mais difícil. De todo modo, as liberações continuam.
Críticas
Nos últimos dias, as críticas em torno da liberação do consignado do Auxílio Brasil aumentaram. Talvez a mais significativa delas tenha partido da Procuradoria Geral da União (PGR). O procurador Geral Augusto Aras chegou a enviar um ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF) alegando que esta liberação seria inconstitucional.
“Nesse cenário de crise, os destinatários da norma estarão ainda mais vulneráveis às instituições financeiras credoras, devido ao estado de necessidade”, diz o documento.
“Podendo comprometer um percentual significativo de sua renda mensal, os tomadores de empréstimos consignados estarão no caminho do superendividamento. Tratando-se dos beneficiários dos programas de transferência de renda, esse cenário mostra-se ainda mais preocupante, pois potencialmente comprometedor da dignidade humana”, segue.
“A Constituição Federal determina que o Estado haja proativamente na defesa do consumidor, considerando sua situação de vulnerabilidade econômica e social”, completa o texto.



