O setor público registrou um déficit primário de R$ 79 bilhões em suas contas entre janeiro e agosto de 2023. O resultado é completamente diferente do observado no mesmo período de 2022, quando as contas públicas tiveram um superávit de R$ 120,5 bilhões, ou seja, a piora chegou a R$ 199 bilhões.
Em resumo, déficit é registrado quando as despesas superam as receitas do governo. Aliás, é isso o que vem acontecendo em 2023, com o Governo Federal apresentando um rombo expressivo nas contas públicas. Quando ocorre o contrário e as receitas superam as despesas, tem-se superávit primário.
Cabe salientar que estes dados não consideram o pagamento de juros da dívida pública. Além disso, vale destacar que o resultado engloba o governo federal, os estados e municípios e as empresas estatais, que formam o setor público consolidado.
Rombo é o mais elevado desde 2020
De acordo com o BC, o grande destaque entre janeiro e agosto foi o governo federal, que contribuiu com a maior parte do rombo observado nas contas públicas. As empresas estatais também fecharam o mês com saldos negativos, ajudando ainda mais a agravar o resultado mensal. Por outro lado, os estados e municípios registraram um saldo superavitário no período.
O déficit registrado entre janeiro e agosto deste ano é o mais elevado desde 2020, quando o país enfrentou a pandemia da covid-19. Naquele ano, o rombo nas contas públicas totalizou R$ 571,3 bilhões no período. A propósito, o Banco Central (BC), responsável pelo levantamento, divulgou os dados nesta sexta-feira (29).
Ao considerar os resultados acumulados nos oito primeiros meses deste ano, o saldo foi o seguinte:
- Governo federal teve um déficit de R$ 100,9 bilhões;
- Estados e municípios apresentaram saldo superavitário de R$ 23,5 bilhões;
- Empresas estatais registraram um déficit de R$ 1,56 bilhão.
Em síntese, apenas os estados e municípios conseguiram registrar saldo positivo entre janeiro e agosto deste ano. Aliás, ao considerar apenas agosto, as contas públicas tiveram um rombo de R$ 22,8 bilhões, saldo um pouco melhor que o observado no mesmo mês de 2022, quando o déficit chegou a R$ 30,3 bilhões. Isso quer dizer que houve uma queda de 24,7% do rombo.

Por que o rombo das contas públicas está crescendo?
Segundo o levantamento, o déficit nas contas públicas correspondeu a 1,12% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Aliás, o PIB se refere à soma de todos os bens e serviços produzidos no país.



