Escolhido como novo ministro da Educação do governo de Jair Bolsonaro, o pastor e advogado Milton Ribeiro tomou posse na quinta-feira (16) no Palácio do Planalto. O presidente da República participou da cerimônia virtualmente, do Palácio da Alvorada, sua residência oficial, já que está infectado pelo coronavírus e, portanto, precisa se manter isolado.
A cerimônia contou com a presença de outros ministros, como Jorge Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência) e Walter Braga Netto (Casa Civil). Ribeiro fez um breve discurso com algumas diretrizes que, segundo ele, vão nortear sua gestão, como a ênfase no ensino profissionalizante e no “resgate do respeito ao professor”. Ele é o quarto nome a ocupar o cargo ao longo do atual governo.
Além de apontar o que pretende fazer à frente do MEC, a posse também serviu para que Ribeiro pudesse explicar posicionamentos públicos que teve como pastor da Igreja Presbiteriana Jardim Oração, de Santos, no litoral paulista.
Ribeiro era integrante da Comissão de Ética Pública da Presidência da República desde maio de 2019, quando foi nomeado ao cargo por Bolsonaro. Sua posse no MEC encerra o período em que o ministério ficou sem um titular, a partir da saída de Abraham Weintraub, em 18 de junho.
O uso da ‘dor’ para educar crianças
Desde que foi anunciado por Bolsonaro, em 10 de julho, vídeos na internet suscitaram polêmicas em torno do novo ministro da Educação. Em um dos registros, intitulado “A vara da disciplina”, publicado em 2016 pela Igreja Presbiteriana Jardim de Oração, Ribeiro defende a punição física de crianças como método de ensino.
“A correção é necessária para a cura. Não vai ser obtido por meios justos e métodos suaves. Talvez uma porcentagem aí muito pequena de criança precoce, superdotada, é que vai entender o seu argumento. Deve haver rigor, severidade. E vou dar um passo a mais, talvez algumas mães até fiquem com raiva de mim: [a criança] deve sentir dor”, afirmou Ribeiro.
Ele disse também que “a vara da disciplina não pode ser afastada da nossa casa”, afirmou. O vídeo acabou apagado depois da nomeação de Ribeiro para o MEC.
O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) proíbe o castigo físico em crianças desde 2014, após implementação da Lei da Palmada. Ficou estabelecido que as crianças devem ser educadas e cuidadas sem o uso de castigo físico ou de “tratamento cruel” como forma de correção, disciplina e educação.
Durante a posse, Ribeiro disse que jamais falou em violência física. “Nunca defenderei tal prática. É um passado que não queremos de volta”, afirmou, sem explicar por que havia dito ser necessário imprimir dor às crianças, como diz no vídeo. O ministro disse, no entanto, que “a implementação de políticas equivocadas” ajudou a desconstruir a “autoridade do professor em sala aula”, sem exemplificar tais políticas.
O resultado, de acordo com o novo ministro, são “episódios de violência física de alguns maus alunos contra o professor”. “As mesmas vozes críticas [a uma postura rígida de professores e pais] de nossa sociedade devem se posicionar contra tais episódios com a mesma intensidade”, completou Ribeiro.
O ‘sexo sem limites’ nas universidades
Em outro vídeo publicado no YouTube, no canal Meditando na Sã Doutrina, em 2018, Ribeiro dá a entender que o existencialismo foi criado nos anos 1960 e afirma que ele incentiva nas universidades uma “prática totalmente sem limites do sexo”.
O existencialismo surgiu, na verdade, a partir de ideias de filósofos do século 19 e se popularizou após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), especialmente na Europa, com foco na liberdade e individualidade humana.



