Com o encerramento do Auxílio Emergencial neste mês de outubro, estima-se que milhões de cidadãos brasileiros irão sofrer ainda mais com os efeitos da crise econômica. Nesse sentido, o Governo Federal já declarou que não irá prorrogar novamente o benefício.
Este, foi criado durante o ano passado com o objetivo de auxiliar trabalhadores e famílias de vulnerabilidade social. Durante o ano de 2021, então, a medida contemplou cerca de 39,4 milhões de pessoas, de acordo com dados do Ministério da Cidadania.
Contudo, o atual presidente, Jair Bolsonaro, optou por não estender novamente o programa, direcionando parte dos seus recursos para o pagamento do Auxílio Brasil. Este, então, será o novo programa social que substituirá o Bolsa Família a partir de novembro e conta com uma bolsa de R$ 400 aos cidadãos do Cadastro Único do Governo Federal.
Desse modo, calcula-se que cerca de 27,7 milhões de cidadãos brasileiros devem ficar desamparados. Isso acontece pois os mesmos não cumprem os critérios de participação do novo programa social.
Junto da pandemia há a fome
Além dos efeitos da pandemia da Covid-19, o brasileiro ainda terá que conviver com a fome. É o que demonstra o estudo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil. A pesquisa, então, relata que, com toda crise econômica agravada pelos efeitos da pandemia no país, pelo menos 19 milhões de cidadãos brasileiros disseram passar mais de 24 horas sem ter do que se alimentar.
Além disso, de acordo com o estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, em dezembro de 2020, aproximadamente 55% da população total do Brasil enfrentava a insegurança alimentar.
Portanto, é possível verificar que, além da pandemia, o Brasil enfrenta uma crise política e econômica que agrava a realidade dos brasileiros.
Pressão maior para a população mais vulnerável
Indo adiante, outro dado importante é o estudo Desigualdade de Impactos Trabalhistas na Pandemia, com coordenação do diretor da Fundação Getúlio Vargas, Marcelo Neri. A pesquisa demonstra que a população mais vulnerável, ou seja, os mais pobres, sofreram uma maior pressão neste período.
De acordo com a pesquisa, que durante o ano de 2019, antes da pandemia, a porcentagem de pessoas abaixo da linha da pandemia vista no Brasil era de 10,97%, ou seja, 23,1 milhões de pessoas em situação de pobreza. Já em setembro do ano passado, devido ao pagamento do Auxílio Emergencial com um valor maior, o número visto caiu para 4,63%, ou seja, 9,8 milhões de brasileiros.
No entanto, no primeiro trimestre de 2021, com a interrupção do pagamento do Auxílio Emergencial, o índice apresentou um forte aumento, chegando a 16,1% da população, 34,3 milhões de pobres. Por fim, os dados do início do ano de 2021 demostraram um cenário grave, em que se nota um aumento expressivo do número de pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
Assim, é possível verificar como o pagamento do benefício influencia na situação brasileira.
O desemprego entra no contexto
O aumento da inflação, os altos níveis de desemprego e toda crise política e econômica no Brasil acabou diminuindo o poder de compra do cidadão. Em conjunto, esse contexto contribuiu para a queda na renda destas famílias, o que fez com que muitas delas adentrassem a linha da pobreza.



