Não é novidade que o Brasil tem uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo, assemelhando-se à carga cobrada em países desenvolvidos. A diferença é que, na questão de retorno dos impostos à qualidade de vida da população, o Brasil deixa a desejar, liderando o ranking de países que mais usam mal os seus impostos, segundo pesquisa divulgada no site Impostômetro.
Estes e outros fatores deixam claro o quanto a Brasil precisa, em caráter de urgência, de uma reforma tributária. Os motivos primordiais são: simplificar uma estrutura muito complexa de taxação, que complica a vida das empresas e negócios, e baixar impostos, beneficiando diretamente a população, que trabalha mais da metade de um ano somente para pagar impostos.
A segunda fase da reforma tributária
A entrega da proposta da segunda fase da reforma tributária para a câmara dos deputados foi feita dia 25 de junho. Um aspecto da proposta que chama a atenção por parte de empresários e investidores é o aumento da carga dos impostos para estes grupos.
A primeira proposta, enviada à um ano, falava sobre a unificação de impostos federais, como o PIS e Cofins. A segunda parte realinha as alíquotas entre 7% a 22,5% em quatro novas faixas, para quem ganha entre R$ 2.500,01 e R$ 5.300,00.
Mas é na quinta e última faixa que incorrem as maiores discrepâncias, segundo os economistas. Ali, com salários acima de R$ 5.301,00, todos pagarão 27,5%, a alíquota mais alta, ganhe ele R$ 5.301,00 ou R$ 53.000,00.
Medidas mais controversas da Reforma Tributária
Correção da tabela do IR (Imposto de Renda)
Congelada desde 2015, a tabela do IR continuará defasada diante da inflação. O texto propõe um aumento da faixa mínima para isenção de imposto de renda de R$ 1.904,00 para R$ 2.500,00, alta de 31%. Mas a inflação subiu 40% neste período.
Impostos para dividendos e aumento de cargas para empresas
“É inadmissível. O bilionário recebe dividendos todo ano e paga zero sobre dividendo”, disse Paulo Guedes, ministro da economia.
O fim dos impostos sobre dividendos aconteceu em 1996, sendo substituído por outros ajustes em tributações. O IR para dividendos, com a nova proposta, passaria a ser de 20%. No geral, poucos estudiosos são contra esta mudança, desde que acompanhasse uma redução no IR para pessoa jurídica. Mas isso não está nos planos.
Os impostos sobre os lucros das empresas baixará de 34% para 29%, mas se forem somados os 20%, em alguns casos, a contribuição chegará a estupendos 49%, se a empresa repassar todo o lucro na forma de dividendos aos sócios.
Taxação de investimentos
Ao criar uma taxa unificada para praticamente todos os tipos de investimentos financeiros, novas modalidades, até então isentas, precisarão contribuir. Algumas estão ganhando força neste momento no mercado brasileiro, como os fundos imobiliários e os fundos para as cadeias produtivas agroindustriais.
Murillo de Aragão, Mestre em Ciências Políticas e Doutor em Sociologia escreve para a revista Veja: “Entende-se a necessidade de compensar a redução de impostos e o impacto da correção da tabela, mas falta o dever de casa das contas públicas, no corte de gastos e no combate aos supersalários e as mordomias. O Congresso, que dará a palavra final sobre o projeto, de estar atento aos interesses da cidadania: uma carga tributária justa e serviços públicos adequados”.



