O Ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT) quebrou o silêncio e falou pela primeira vez sobre o atraso na assinatura da Medida Provisória (MP) que libera o novo salário mínimo de R$ 1.320. O chefe da pasta culpou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por decisões orçamentárias realizadas no segundo semestre do ano passado.
“Há impacto evidente no tocante ao salário mínimo, um represamento que foi feito das aposentadorias e, no segundo semestre, foi liberado, principalmente depois da eleição. Um contingente grande, o que mostrava que o represamento não era de dificuldade administrativa”, disse Rui Costa.
“Era uma estratégia financeira de conter pagamentos, já que se fosse dificuldade administrativa não haveria como liberar um volume gigantesco como foi liberado no pós-eleição. Então, nitidamente, em nossa opinião, fica caracterizado que a dificuldade não era fluxo administrativo, e sim estratégia de contenção das aposentadorias.”
Em resumo, o Ministro está dizendo que o Governo Bolsonaro represou pagamentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) antes das eleições presidenciais. Logo depois da derrota de Bolsonaro no pleito, o antigo governo teria soltado tudo de uma só vez. Isto, ainda na visão de Rui Costa, estaria causando impacto na ratificação do aumento real do salário mínimo.
Bloqueios
Segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de São Paulo na última semana, o Ministério da Fazenda teria recebido um alerta de que o aumento real do salário mínimo para R$ 1.320 poderia gerar um gasto de mais de R$ 7,7 bilhões para além do que estava programado no plano de orçamento aprovado no Congresso Nacional.


