.Na última sexta-feira, 15 de setembro, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publicou pesquisa sobre mudanças na realidade dos trabalhadores. Segundo o Instituto, então, estes estão mais na informalidade e menos organizados em sindicatos.
Isto é, conforme indica a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, em seu módulo Características Adicionais do Mercado de Trabalho 2022.
De acordo com Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas do IBGE, esta mudança tem outras origens para além da queda da população ocupada.
“A redução na população sindicalizada acentuou-se a partir de 2016, quando a queda da sindicalização foi acompanhada pela retração da população ocupada total. A partir de 2017, embora com a população ocupada crescente, o número de trabalhadores sindicalizados permaneceu em queda”, explicou.
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Portanto, é necessário analisar outros fatores que contribuíram para esta nova realidade.
O que indica a pesquisa?
Segundo a pesquisa do IBGE, havia um total de 99,6 milhões de pessoas ocupadas no ano de 2022. Isso significa um aumento de 4,9% quando em comparação ao ano de 2019 e de 11% do ano de 2012.
Deste total de pessoas ocupadas em 2022 apenas 9,1 milhões estavam em um sindicato, ou seja, 9,2%.
Trata-se, então, do menor número de sindicalizados desde que esta pesquisa se iniciou de forma regular, em 2012. Na época, dez anos antes do resultado mais atual, eram 14,4 milhões de trabalhadores em sindicatos, ou seja, 16,1% do total.
Antes de 2022, o último resultado foi em 2019, já que em 2020 e em 2021 a pesquisa não ocorreu em razão da pandemia de Covid-19. Nesse sentido, em 2019, o percentual de sindicalizados era de 11%, o que indica 10,5 milhões de trabalhadores.
Desse modo, é possível perceber que houve um aumento da quantidade de pessoas ocupadas que, contudo, não significou o aumento da sindicalização. Pelo contrário, ocorreu a baixa deste contingente.
Nesse sentido, a coordenadora Adriana Beringuy comentou acerca de mudanças políticas e econômicas que podem ter influenciado no resultado.
Ela indica, então, que “a expansão da população ocupada nos últimos anos não resultou em aumento da cobertura sindical. Isso pode estar relacionado a diversos elementos, como aprofundamento das modalidades contratuais mais flexíveis introduzidas pela Reforma Trabalhista de 2017, formas independentes de inserção dos trabalhadores na produção em alternativa à organização coletiva, e o uso crescente de contratos temporários no setor público”, explicou.
Em relação às regiões do país, a pesquisa identificou os seguintes números:
- Sul tem 11% dos trabalhadores sindicalizados;
- Nordeste tem 10,8% destes;
- Sudeste tem 8,3%;
- Norte conta com 7,7%; e
- Centro-Oeste possui 7,6%.
Logo, vê-se que a região Centro-Oeste é a que os trabalhadores têm menos relacionamento com sindicatos.
Quais setores estão menos em sindicatos?
A pesquisa do IBGE, ainda, demonstra os setores que mais apresentaram queda na sindicalização. Nesse sentido, a área de Transporte, armazenagem e correio foi de 20,7% em 2012 para 8,2% em 2022.
“Nos últimos anos, o crescimento da ocupação nessa atividade tem sido promovido pelo transporte terrestre de passageiros, que congrega muitos trabalhadores (motoristas) com inserção isolada e informal na ocupação, o que pode contribuir para a queda na sindicalização”, explicou Adriana Beringuy.
No entanto, na área de Serviços domésticos, não houve queda, mantendo 2,8% de trabalhadores em sindicatos, desde 2019.
Em 2022, o setor com mais trabalhadores em sindicatos é o de Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, com 16,5%.



