A decisão do governo Luiz Inácio da Silva (PT) de acabar com o saque-aniversário do FGTS já começa a gerar repercussão no meio da sociedade civil. Algumas instituições e associações representativas estão se manifestando contra a medida que está sendo desenhada pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT).
Nesta semana, por exemplo, a Associação Brasileira de Internet (Abranet), a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e a Zetta (que reúne fintechs como Nubank e Mercado Pago) enviaram uma carta ao presidente Lula para tratar sobre o assunto.
Na carta em questão, as organizações argumentam que a medida seria prejudicial para milhões de trabalhadores, sobretudos os negativados, que utilizariam o dinheiro do saque-aniversário para pagar as suas contas.
O que é o saque-aniversário
Até meados de 2020, o trabalhador brasileiro só podia sacar o seu FGTS em condições especiais e urgentes, como em uma demissão sem justa causa, ou quando o cidadão é acometido por uma doença grave, por exemplo.
Naquele ano, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) decidiu estabelecer o saque-aniversário. O trabalhador que opta por entrar nesse sistema passa a ter o direito de sacar a quantia do FGTS todos os anos sempre no mês do seu nascimento, ou nos dois meses imediatamente seguintes.
Em contrapartida, o trabalhador que entra no saque-aniversário perde o direito de sacar o benefício em situações emergenciais, como em uma demissão sem justa causa, por exemplo.
O governo federal expressou publicamente duas preocupações nesse sentido. A primeira delas é que, segundo o poder executivo, vários trabalhadores que optam pelo saque-aniversário acabam se arrependendo da medida no momento em que ele sofre uma demissão sem justa causa.
A segunda preocupação do governo federal tem relação com o Minha Casa Minha Vida. Como se sabe, o dinheiro do FGTS ajuda a financiar o programa habitacional. Como mais pessoas estão retirando dinheiro através do saque-aniversário, sobra menos dinheiro para o benefício.
Luiz Marinho vai agir sobre saque-aniversário
O ministro do trabalho, Luiz Marinho (PT) já confirmou que vai enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para acabar com o saque-aniversário. O texto em questão deverá ser enviado logo depois das eleições municipais, em meados de novembro.



