O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou que o empréstimo consignado para os cidadãos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) só será liberado após o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema. De acordo com o comunicado do instituto, qualquer decisão só será tomada após o trânsito em julgado na esfera judicial. Essa medida visa garantir a segurança jurídica e evitar possíveis recursos no futuro.
A espera pelo julgamento
O empréstimo consignado é uma modalidade de crédito descontado diretamente do benefício, seja ele aposentadoria, pensão ou salário. No caso do BPC, que é um benefício assistencial pago a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade, não há autorização em lei para esse tipo de empréstimo. Embora a liberação tenha sido aprovada e publicada, a questão está sendo questionada no STF por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.223 proposta pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT).
A ADI busca limitar os empréstimos para o público vulnerável e questionar o aumento do limite de comprometimento da renda dos empregados celetistas e dos beneficiários do INSS, que passou de 35% para até 45%. O processo está sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, que anteriormente já havia julgado constitucional o crédito consignado para quem recebe o BPC. No entanto, o julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, aguardando uma decisão final.
A importância da decisão do STF
A decisão do STF sobre a legalidade do empréstimo consignado para quem recebe o BPC é de extrema importância para a população economicamente vulnerável. A advogada Adriane Bramante, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), acredita que o INSS está correto em aguardar a manifestação do STF antes de tomar qualquer decisão. Ela argumenta que a concessão desse tipo de crédito pode comprometer ainda mais a renda daqueles que já se encontram em situação de miserabilidade.
Bramante ressalta que as pessoas que têm direito ao BPC comprovam sua situação de extrema pobreza. Portanto, se essas pessoas contraírem empréstimos, sua renda mensal será ainda mais reduzida, comprometendo sua subsistência. Segundo a educadora financeira Cintia Senna, da Dsop, o INSS agiu com prudência ao aguardar a autorização do STF, já que a liberação de crédito para esse público requer uma educação financeira adequada. Ela destaca que até mesmo aposentados, que recebem benefícios vitalícios, podem ficar expostos à inadimplência.



