Em entrevista para o jornal O Estado de São Paulo, a ex-ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, voltou a criticar o atual formato do Auxílio Brasil. Entre outros pontos, ela disse que o novo governo vai “tirar os sem-vergonha” do cadastro do Bolsa Família em 2023.
“Queremos criar um ambiente de construção de uma transição, mas ao mesmo tempo é irregular. A legislação é clara: as pessoas não podiam estar recebendo. Estamos conversando com os municípios. Esse povo vai bater na porta da prefeitura quando o recurso for bloqueado. Serão filas enormes no início do governo Lula com muita gente pobre, mas também muita gente sem vergonha. Queremos tirar os sem-vergonha”, disse Campello.
Como antecipado por alguns veículos de imprensa, o governo eleito prevê a realização de um grande pente-fino no programa social já nos próximos meses de janeiro e fevereiro do próximo ano. A ideia é justamente retirar do programa social as pessoas que supostamente estão recebendo o saldo de maneira irregular.
“Estamos tentando administrar essa situação. Quando chegou em dezembro (de 2021), esses benefícios unipessoais – que são as pessoas que alegam estar morando sozinhas – deu um pulo de 2 para 3 milhões. Depois, passou para 3,5 milhões, para 4 milhões, 4,5 e chegou a 5 milhões em um ano. É um escândalo”, disse a ex-ministra.
“O governo (de Jair Bolsonaro) devia ter visto e tomado atitude para impedir, mas não tomou. Agora, após a eleição ele entrou com processo de averiguação, chamando as pessoas e dizendo que vai bloquear entre janeiro e fevereiro”, disse Campello. Ela é uma das integrantes da equipe de transição na área de Desenvolvimento Social e Combate à Fome.



