Nas últimas semanas, você certamente ouviu algo sobre a Reforma Tributária nas ruas, nas redes sociais ou mesmo em conversas com familiares. O assunto foi um dos mais comentados dos últimos tempos. Mas toda a mobilização não deve chegar perto do que deverá acontecer dentro de mais alguns meses, quando o Governo Federal vai começar a discutir a Reforma do Imposto de Renda.
Embora os termos sejam semelhantes, o fato é que os objetivos são diferentes. Enquanto a Reforma Tributária prevê uma mudança no sistema de cobrança de impostos sobre consumo e serviços, a Reforma do Imposto de Renda vai prever uma alteração na cobrança de impostos sobre a renda das pessoas, ou seja, vai mexer diretamente no bolso dos brasileiros.
Até mesmo por isso, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) avalia que este segundo texto vai gerar muito mais debate e certamente será muito mais questionado. Em entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo nesta terça-feira (18), ele avalia que a proposta do texto é aumentar a taxação dos mais ricos ao mesmo passo em que diminui a dos mais pobres.
O que disse o Ministro
“É claro (que vai existir resistência). Mas nós vamos divulgar os dados. Você acha que um brasileiro que é rico, tem residência no Brasil e dinheiro fora, não tem que pagar pelo rendimento de um fundo offshore pessoal? Por quê? Qual é o sentido?”, questionou o Ministro da Fazenda.
Na visão do Ministro, o atual governo já conseguiu melhorar um pouco a situação em relação ao que se cobra do Imposto de Renda. Em maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o patamar de teto de isenção para que mais trabalhadores mais pobres passem a ficar isentos do pagamento do imposto. Mas Haddad acredita que movimento ainda é pequeno.
“O trabalhador hoje está isento (de imposto de renda), graças ao presidente Lula, até R$ 2.640. Você ganhou R$ 2.650, já paga. E uma pessoa que ganha R$ 2.640.000,00 está isenta? Como um país com tanta desigualdade isenta o 1% mais rico da população? Qual vai ser o dia em que nós vamos olhar para o problema e resolvê-lo?”, disse ele.
O papel de Arthur Lira
Um dos pontos tratados na entrevista para a Folha de São Paulo foi o papel que terá o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP) em toda esta história. No processo de aprovação da Reforma Tributária, ele foi visto como um aliado do Governo Federal, agilizando a aprovação do documento.




