Notícias Concursos
Economia

Impacto da Nova Taxação: Quanto custará uma compra de R$ 100 na Shein, AliExpress e Shopee?

Por Igor Macedo· 7 min de leitura

Atualizado em

Impacto da Nova Taxação

Publicidade

O cenário das compras online em sites internacionais como Shein, AliExpress e Shopee está prestes a sofrer uma transformação significativa. A recente aprovação de um projeto de lei pela Câmara dos Deputados brasileira introduziu uma nova taxação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, o equivalente a cerca de R$ 260.

Essa medida visa equilibrar o campo de atuação entre varejistas nacionais e estrangeiros, colocando um ponto final na isenção fiscal anteriormente concedida a remessas de baixo valor.

Entendendo o Contexto da Taxação

O debate sobre a taxação de compras internacionais de baixo valor ganhou força em abril de 2023, quando o governo buscava meios para evitar que empresas burlassem a Receita Federal. Até então, remessas entre pessoas físicas de até US$ 50, sem fins comerciais, não sofriam taxação. No entanto, alegava-se que algumas empresas estavam realizando vendas disfarçadas como envios de pessoa física para contornar os impostos.

Compras dentro desse limite tornaram-se extremamente populares em sites de varejistas estrangeiros, como Shopee, AliExpress e Shein. Consequentemente, varejistas brasileiras passaram a reivindicar alguma forma de tributação desses produtos estrangeiros, alegando concorrência desleal.

O Programa Remessa Conforme

Em resposta às preocupações levantadas, o governo criou o programa Remessa Conforme, que entrou em vigor em 1º de agosto de 2023. Empresas que aderiram a essa regulamentação ficaram isentas da cobrança de impostos em produtos de até US$ 50, desde que cumprissem uma série de normas, como fornecer transparência sobre a origem do produto, dados do remetente e discriminação de cobranças, como ICMS e frete, para que o consumidor soubesse exatamente quanto estava pagando em cada item.

Um dos efeitos positivos do programa, que contou com a adesão de grandes empresas de marketplace, como Shopee e Shein, foi a agilização das entregas, uma vez que a fiscalização da Receita Federal tornou-se mais fácil com as informações fornecidas pelas empresas.

Pressão da Indústria e do Comércio Nacional

Apesar dos benefícios do Remessa Conforme, setores da indústria e do comércio no Brasil continuaram insatisfeitos com a isenção concedida às empresas estrangeiras. Entidades representativas, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), apresentaram um estudo ao ministro Fernando Haddad, estimando até 2,5 milhões de demissões devido à isenção para empresas de fora do país.

A Nova Taxação Aprovada

Diante das pressões, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei (PL) 914/24, que determina a cobrança do Imposto de Importação (II), com alíquota de 20%, sobre compras internacionais de até US$ 50. Além disso, essas compras continuarão sujeitas à alíquota de 17% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), um encargo estadual já existente.

De acordo com o PL, cobranças acima de US$ 50 e até US$ 3 mil terão alíquota de 60%, com desconto de US$ 20 (cerca de R$ 100) do tributo a pagar. Acima desse valor, a importação é proibida pelos Correios e transportadoras privadas.

Impacto da Nova Taxação
Impacto da Nova Taxação – Imagem: AnaMaria

Impacto nos Preços para o Consumidor

A cobrança do Imposto de Importação de 20% e do ICMS de 17% terá um impacto significativo no preço final dos produtos adquiridos em sites como Shein, AliExpress e Shopee. Segundo cálculos, um produto de R$ 100 (com frete e seguro incluídos) passaria a custar R$ 140,40 após a aplicação das taxas.

A gigante chinesa Shein, uma das principais beneficiadas pela isenção anterior, criticou a aprovação da medida, chamando-a de “retrocesso”. A empresa argumentou que 88% de seus clientes no Brasil pertencem às classes C, D e E, e que a nova carga tributária de 44,5% (somando Imposto de Importação e ICMS) representaria um risco para esses consumidores. Segundo a Shein, um vestido que custava R$ 81,99 (com ICMS de 17% incluso) passaria a custar mais de R$ 98 com a nova taxação.

Publicidade

Reação do Varejo Nacional

Por outro lado, os varejistas nacionais defendem o fim da isenção para empresas estrangeiras. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a quantidade de itens de bens de consumo com valor de importação de até US$ 50 por unidade cresceu 35% em 2023, liderados pelos produtos da China (51,8% do total). O segmento com maior aumento foi o de itens de vestuário feminino, como calças, bermudas e shorts (alta de 407,4%).

“A isenção até US$ 50 é uma ofensa ao empresário brasileiro, que é o responsável por gerar emprego, renda e impostos para a economia brasileira”, declarou Felipe Tavares, economista-chefe da CNC.

Críticas à Alíquota de 20%

Apesar de representar um avanço, a alíquota de 20% aprovada para compras internacionais de até US$ 50 não agradou a todos. Em comunicado conjunto com a CNC, a CNI classificou a decisão como “ineficiente” e um “passo bastante tímido” em direção à isonomia tributária e à equiparação com a produção nacional.

Próximos Passos e Tramitação

O Projeto de Lei 914/24 agora segue para apreciação no Senado Federal. O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), informou que consultará as lideranças partidárias para definir se o projeto tramitará em regime de urgência ou não, o que pode acelerar ou retardar sua votação.

Impacto no Comércio Eletrônico Internacional

A nova taxação representa um desafio para empresas de comércio eletrônico internacional, como Shein, AliExpress e Shopee, que terão de reajustar seus preços e estratégias para permanecer competitivas no mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, abre oportunidades para varejistas nacionais, que poderão concorrer em condições mais equilibradas.

Adaptação dos Consumidores

Para os consumidores brasileiros, a taxação trará um aumento nos preços de produtos adquiridos em sites estrangeiros. No entanto, essa medida visa proteger a indústria e o comércio nacional, garantindo uma concorrência mais justa e a geração de empregos e renda no país.

Será necessário um período de adaptação, no qual os consumidores terão de reavaliar seus hábitos de compra e considerar opções nacionais ou estrangeiras com preços mais elevados devido à taxação. Aqueles que costumavam aproveitar as “comprinhas” de até US$ 50 terão de ajustar seus orçamentos ou procurar alternativas mais acessíveis.

Impacto Ambiental e Social

Além das questões econômicas, a nova taxação pode ter impactos ambientais e sociais. Com preços mais altos para produtos importados, pode haver uma redução no volume de remessas internacionais, contribuindo para a redução da pegada de carbono associada ao transporte de mercadorias.

Adicionalmente, ao fortalecer a indústria e o comércio nacional, a medida pode gerar mais empregos e renda no país, beneficiando comunidades locais e impulsionando o desenvolvimento econômico regional.

Monitoramento e Ajustes Futuros

É importante ressaltar que a implementação da nova taxação será um processo contínuo, sujeito a monitoramento e ajustes futuros. O governo e as autoridades competentes deverão acompanhar de perto os impactos da medida, avaliando sua eficácia em equilibrar a concorrência e proteger a indústria nacional, bem como seu impacto nos consumidores e na economia como um todo.

Ajustes nas alíquotas ou outras medidas complementares poderão ser necessários para garantir que os objetivos sejam alcançados de forma justa e equilibrada, levando em consideração os interesses de todas as partes envolvidas.

Ademais, a aprovação da nova taxação sobre compras internacionais de até US$ 50 representa um passo significativo na busca por um campo de atuação mais equilibrado entre varejistas nacionais e estrangeiros no Brasil. Embora a medida possa resultar em preços mais altos para os consumidores, ela visa proteger a indústria e o comércio nacional, garantindo a geração de empregos e renda no país.

À medida que a tramitação avança no Senado Federal, é crucial que todas as partes interessadas acompanhem de perto o processo e estejam preparadas para se adaptar às mudanças. Empresas de comércio eletrônico internacional, varejistas nacionais e consumidores terão de ajustar suas estratégias e hábitos de compra, enquanto o governo monitora os impactos e realiza ajustes conforme necessário.

Embora o caminho à frente possa ser desafiador, a nova taxação representa uma oportunidade de promover uma concorrência mais justa e sustentável no mercado brasileiro, beneficiando a economia nacional e protegendo os interesses de todos os envolvidos.

Publicidade

Igor Macedo

Escrito por

Igor Macedo

Redator com ampla experiência em produção textual. Redator do Grupo Sena Online.

Ver todos os artigos de Igor Macedo →

Comentários

Deixe seu comentário

Veja também