Recentemente, mesmo depois de muitas especulações sobre o valor do novo Bolsa Família, vem se debatendo a manutenção dos benefícios.
Nesse sentido, a proposta que detalha a criação do Auxílio Brasil contará com o investimento de R$ 34,7 bilhões, ou seja, o mesmo valor que se direcionou ao antigo programa de transferência de renda. A proposta se encaminhou ontem, 31 de agosto, ao Congresso Nacional.
Desse modo, é possível verificar que o número de beneficiários também se manterá em 14,7 milhões de grupos familiares. Portanto, a informação se contrapõe ao que o Governo Federal antes propagou. Anteriormente, então, o objetivo era aumentar o número de participantes e o valor médio pago pelo benefício. Contudo, verifica-se que o orçamento não possui espaço suficiente para isto.
Assim, o programa deve se inaugurar sem a mudança do tíquete médio, caso o governo não encontre uma solução para os recursos.
Novo programa deve acompanhar recursos possíveis
O valor está no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que contém todas as informações sobre a criação da proposta para o ano de 2022. Nesse sentido, Bruno Funchal, secretário especial do Tesouro e Orçamento se manifestou sobre o assunto. Para ele, “o que tem na proposta é a manutenção do orçamento, mesmo com o novo desenho, ele tem que se adequar a esse tamanho. Na tramitação pode ser modificado”.
Além disso, o secretário também entende que os parlamentares poderão discutir sobre a questão. Ele declara, então, que “o orçamento de 2022 para o programa é o mesmo tamanho do de 2021. O desenho fica a cargo do Ministério da Cidadania. Nenhuma política está sendo ampliada neste momento, por isso, o orçamento foi mantido deste tamanho e o Ministério da Cidadania terá que fazer ajustes. Mas isso pode ser discutido no Congresso”.
Ademais, questionado sobre o Auxílio Emergencial, que também não está na Lei Orçamentária de 2020, Funchal comentou que “o auxílio emergencial está vinculado à pandemia de covid-19 e à imprevisibilidade. Não estamos no momento do aumento da imprevisibilidade. A curva de mortes está diminuindo e a vacinação aumentando. Neste momento, não vejo espaço para isso. Mas se houver uma imprevisibilidade pode ser pensado”.
Proposta Orçamentária para 2022 apresenta um déficit primário de R$ 49,6 bilhões
Além disso, estima-se que a Proposta Orçamentária para o próximo ano apresenta um déficit primário de R$ 49,6 bilhões. Desse modo, se encontra abaixo da meta de déficit de R$ 170, 5 bilhões, que a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2022 estabelece. Lei esta que teve sanção do presidente Jair Bolsonaro durante a última semana.
A indicação é resultado de cerca de R$ 2,01 trilhões de despesas primárias e R$ 1,96 trilhões de receitas primárias. Ademais, o conteúdo presente na proposta que se encaminhou ao Congresso também conta com gastos referentes ao Três Poderes, de aproximadamente R$ 4,62 trilhões. No entanto, ainda não houve consideração sobre as receitas do processo de privatizações.
Já sobre o teto de gastos, regra fiscal que impede que o aumento das despesas públicas quando em comparação com o valor do ano anterior, teve estimativa de R$ 1,610 trilhão. Assim, respeitando os 8,35% de IPCA acumulado em um período de 12 meses, como demonstrou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).



