Nos últimos anos, a busca por uma sociedade mais inclusiva tem se tornado uma pauta essencial em diversos âmbitos. Nesse contexto, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados deu um passo significativo ao aprovar um projeto de lei que visa garantir a acessibilidade no Disque 180, a Central de Atendimento à Mulher.
Projeto é aprovado para incluir obrigação de acessibilidade no Disque 180
Essa medida tem como objetivo eliminar barreiras que possam dificultar o atendimento de denúncias de violência contra a mulher, especialmente aquelas que possuem deficiências.
Uma mudança necessária na legislação
O projeto de lei, intitulado Projeto de Lei 82/22, foi proposto pelo ex-deputado Felipe Rigoni (ES).
Em resumo, o projeto tem como objetivo modificar a Lei 10.714/03, que inicialmente concedeu autorização ao Poder Executivo para fornecer um número telefônico de abrangência nacional, destinado a receber denúncias de violência contra a mulher.
A proposta visa incluir um dispositivo que estabelece a obrigatoriedade de que a Central de Atendimento à Mulher siga os critérios de acessibilidade definidos na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência.
A importância da acessibilidade
A acessibilidade é um direito fundamental que visa garantir que todas as pessoas, independentemente de suas capacidades físicas ou cognitivas, possam participar plenamente da sociedade. No contexto do atendimento à violência contra a mulher, essa acessibilidade torna-se ainda mais crucial. Muitas mulheres que sofrem violência também possuem deficiências. Desse modo, é fundamental que elas tenham a possibilidade de denunciar esses casos de forma eficaz e sem barreiras.
Dados oficiais e necessidade de ação
A deputada Tabata Amaral (PSB-SP), relatora do projeto, destacou a importância dessa medida ao citar dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De acordo com esses dados, 58,5% dos casos de violência contra pessoas com deficiência estão relacionados à violência doméstica.
Além disso, as estatísticas revelam que as mulheres são a maioria das vítimas em notificações de violência, independentemente do tipo de deficiência, com um número de denúncias 76% superior ao dos homens.
Urgência na eliminação de barreiras
A relatora também enfatizou que, considerando o alto número de mulheres com deficiência que sofrem violência diariamente, a eliminação de obstáculos e barreiras que impeçam o pleno exercício de seus direitos por meio do Disque 180 é uma questão extremamente urgente.
Uma vez que garantir que essas mulheres tenham acesso a uma linha de denúncia acessível e eficaz é um passo fundamental para combater a violência e promover a igualdade de gênero.
Próximos passos na tramitação
Conforme informações oficiais, o Projeto de Lei 82/22 seguirá agora para análise em duas comissões: a Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.



